Clima de velório, caos e constrangimento. Este foi o retrato da Câmara Municipal de Londrina após a prisão do vereador Orlando Bonilha (PR) ontem à tarde. A sessão ordinária foi suspensa e os projetos retirados de pauta. Pelos corredores, os funcionários tentavam assimilar o susto - e servidores próximos a Bonilha não conseguiam esconder o choro. Os vereadores reuniram-se na sala da presidência, a portas fechadas, e passaram a acompanhar o desenrolar do caso pelas emissoras de rádio.
''O clima é de velório, todo mundo ficou abismado. A situação está muito difícil e há um clima de constrangimento'', contou o vereador Paulo Arildo (PSDB) - que foi o único a permanecer no plenário.
O vereador Roberto Kanashiro (PSDB) considerou excessiva a forma com que a prisão foi feita. ''Ficou uma imagem de deprimir qualquer pessoa. Ultimamente o MP tem sido atuante, mas não sei se caberia uma ação tão contundente de (o vereador) sair preso do Legislativo apesar de ter situação domiciliar regular''. Para ele, o clima na Câmara é de ''desolação''.
O vereador Flávio Vedoato (PSC) considerou a prisão um ''escracho''.''A pessoa tem residência fixa, mora em Londrina e se quisesse fugir não viria hoje à Câmara. Eu não sei que sede é essa, (acho que) é uma caça às bruxas'', comentou.
Para Gláudio Renato de Lima (PT), a ação foi excessiva. ''Ter um ex-presidente da Casa preso, independente do mérito, é muito desagradável e constrangedor, (envolve) a família dele, filhos. E para alguém que veio ao plenário para ser julgado, seguramente não ia fugir da Justiça. Talvez não houvesse a necessidade dessa prisão e da forma com que ela foi feita.''
O vereador Antenor Ribeiro (PP) confirmou que o clima é muito ruim na Casa e disse que foi à sala da presidência ''para conversar e ouvir do procurador jurídico o que vai acontecer (com Bonilha)''.''Não era propriamente uma reunião.''
O vereador Lourival Germano (PT) disse que os últimos acontecimentos representam, para a Câmara, uma ''ferida que não cicatriza''. De acordo com ele, o Legislativo praticamente interrompeu seu trabalho normal. ''Deveríamos estar tratando de melhorias na cidade e de repente vem uma situação como essa... É extremamente terrível, de difícil avaliação, e uma marca que a instituição vai levar.''
Para o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), a prisão de Bonilha deixa a Câmara ''arrebentada''. Na avaliação dele, porém, o restante da Câmara quer que a ''transparência'' seja ''resgatada'' para que os trabalhos voltem ao normal. ''Só que a gente sabe que muita coisa ainda está para vir'', avaliou.
Para Tercílio Turini (PPS), ''seguramente essa é a pior crise que o Legislativo enfrenta'' desde que chegou à Câmara há quase 16 anos. ''A Casa ficou fragilizada e, infelizmente, a desconfiança da população é muito grande.''
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), disse que sua maior preocupação é que o Legislativo sofra desgaste com o processo. ''A partir do momento em que a Câmara passa por um desgaste, sofre a cidade de Londrina.'' Souza também se mostrou sensibilizado com a família de Bonilha. ''Confesso que, como cristão e pai de família, não desejo isso aos parentes do vereador. Todos sofrem e essas pessoas não têm culpa de nada.''

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