Conselho vai recomendar cassação de Jader
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Rosa Costa<BR>Agência Estado 
A subcomissão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar já decidiu que vai recomendar a abertura do processo de cassação de mandato por quebra de decoro contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O trabalho dos senadores agora é analisar os motivos que vão fundamentar o pedido.
Os integrantes da subcomissão foram informados pelo auditor do Banco Central, Abraão Patruni Júnior, na quarta-feira, sobre a identificação de três cheques do Banco Itaú assinados por Jader para complementar o valor das aplicações efetuadas com dinheiro desviado do Banpará. No mesmo período, foram efetuados 59 depósitos na conta de Jader. De acordo com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), Jader vai ter de provar que a assinatura dos cheques não é dele ou então para se livrar terá de informar quem fez as aplicações.
As evasivas utilizadas por Jader nos seus pronunciamentos, quando se refere ao caso Banpará, têm dificultado seu enquadramento por falta de decoro, como é chamado o ato de mentir aos colegas parlamentares. Mas o seu envolvimento no desfalque do banco estadual afronta a ética, na avaliação dos senadores. Eles acreditam que o quadro vai ser alterado no depoimento que Jader prestará à subcomissão, na próxima semana.
No depoimento, seus colegas vão lhe perguntar: ''O senhor foi beneficiado por recursos desviados do Banpará?'' Se Jader disser que não, eles disporão de provas para contraditá-lo e dessa forma caracterizar a quebra do decoro. Se ele confirmar que sim, que se envolveu no desfalque, a questão será ética e da mesma forma será impossível manter seu mandato.
O fato do desvio ter ocorrido antes de Jader ter assumido o mandato não impedirá a ação do Conselho de Ética, uma vez que o senador não tem como apontar a origem do patrimônio milionário que possui hoje.
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) propôs a ampliação do prazo de entrega do relatório em mais 15 dias ou até que eles ouçam outras pessoas envolvidas no desfalque. Mas a proposta está sendo analisada com cautela. Se forem utilizados os 15 dias, vai coincidir com o final da licença da presidência. Significará, portanto, uma vitória de Jader, que poderá reassumir o cargo, alegando que nada foi apontado contra ele.
A subcomissão começou a trabalhar no último dia 2. A previsão inicial era a de concluir seu trabalho até o dia 3 de setembro. Peres justifica sua proposta de estender os trabalho, lembrando que há inúmeros documentos, entre eles cheques do Banco do Estado do Pará (Banpará), que ainda precisam ser analisados. (Colaboraram Gilse Guedes e Cida Fontes)


