O presidente licenciado do Congresso, senado Jader Barbalho (PMDB-PA), ficará numa situação ainda mais delicada, caso não apresente documentos para rebater as denúncias de envolvimento em desvios de recursos no Banco do Estado do Pará (Banpará) ou se recuse a prestar esclarecimentos durante o depoimento na comissão de inquérito do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, marcado para amanhã. ''Quando uma testemunha ou qualquer pessoa investigada se nega a falar, isso é um indicativo de culpa'', comentou ontem o senador Jefferson Péres (PDT-AM), que é subrelator da comissão. Jader será pressionado até mesmo por senadores do partido dele.

Embora não seja integrante da comissão, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) participará do depoimento e se prepara para obter apenas uma ''simples, mas comprometedora'' resposta: ''Ele sempre disse que não recebeu nada do Banpará. Então, terá de dar explicações em relação à existência de aplicações financeiras com cheques administrativos do Banpará, nas quais aparecem cheques de sua conta pessoal.''

Essa será a mesma estratégia da comissão, que vai explorar ao máximo o relatório do auditor Abrahão Patruni Júnior, do Banco Central (BC), que concluiu que Jader está ligado à fraude no Banpará. Péres não quis detalhar, no entanto, quais são os indícios de quebra de decoro que serão incluídos num eventual pedido de abertura de processo de cassação de mandato contra o senador. ''Nós estamos no meio da investigação e não dá para dizer nada conclusivamente.''

Na avaliação do pedetista, o depoimento poderá não ser ''conclusivo'', caso o senador paraense se recuse a dar esclarecimentos sobre os casos apurados no Senado. Por ser parlamentar, Jader será ouvido no gabinete, em sessão fechada.

No outro lado da guerra política no Senado, Jader vem mantendo negociações para conquistar aliados e divulgou aos parlamentares que conseguiu reunir ''elementos fulminantes'' para rebater as acusações. Jader conta com o apoio do amigo e aliado no Conselho de Ética, o subrelator João Alberto Souza (PMDB-MA), para tentar reverter a tendência de um processo de cassação.

Mesmo reagindo à acusação de que Jader assinou cheques nas operações irregulares no Banpará, Souz reconhece, porém, que a situação do presidente licenciado do Senado é difícil. Antes de tomar o depoimento do senador paraense, os três subrelatores da comissão Péres, Souza e o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP) se reunirão com técnicos do BC que foram encarregados de buscar mais dados no Rio e em São Paulo sobre a fraude no Banpará.

Hoje, a corregedoria-geral da Casa fará uma acareação entre Serafim Rodrigues de Morais, Vera Dantas e o empresário de Paula Pedrosa, dando continuidade nas investigações sobre a provável participação de Jader na venda irregular de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) na desapropriação da Fazenda Paraíso. (Colaboraram Rosa Costa e João Domingos)

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