Conselho recomenda cassação de João Magno
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
Rose Ane Silveira<br>Folhapress 
Brasília - Por 10 votos a 3, o Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem o parecer de Jairo Carneiro (PFL-BA), que recomenda a cassação do mandato do deputado João Magno (PT-MG) por quebra de decoro. Magno é acusado de ter recebido R$ 426 mil das contas do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do esquema do ''mensalão''.
João Magno afirmou que não pretende recorrer, nem ao STF (Supremo Tribunal Federal), nem à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Apesar de afirmar que não vai recorrer da decisão, Magno acusou o Conselho de ter agido com parcialidade. ''Eu pensava ser possível ter o mesmo número de votos a meu favor que teve o deputado Roberto Brant (PFL-MG). Não houve coerência'', afirmou.
Brant teve o pedido de cassação de seu mandato aprovado no Conselho por oito votos a favor e sete contrários. Foi necessário que o presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), desse o voto de desempate neste caso. ''Os nossos casos são exatamente iguais. Dizer que é diferente é retórica. Brant recebeu dinheiro das mãos da SMPB e eu também'', defendeu João Magno.
Durante a reunião de ontem vários parlamentares, inclusive os dois representantes do PSOL no Conselho, se mostraram solidários com João Magno. Tanto para Orlando Fantazzini (PSOL-SP) como para Chico Alencar (PSOL-RJ), o deputado petista é honesto e não merecia passar por uma situação como a possibilidade da perda do seu mandato. ''Ele foi uma vítima do seu partido'', avaliou Fantazzini.
Votaram contra a cassação do parlamentar os deputados Ângela Guadagnin (PT-SP), José Carlos Araújo (PL-BA) e Sandes Júnior (PP-GO). Guadagnin apresentou voto em separado pedindo a suspensão temporária do mandato do deputado, como pena alternativa, e acabou chorando no final da sessão.
Para Ricardo Izar, o resultado já era previsível. ''Este resultado já era esperado. As provas contra o deputado são contundentes. O parecer foi aprovado por 10 a três. Isto demonstra que a maioria achou melhor optar pela cassação'', afirmou.


