Brasília - Depois de ser absolvido ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL) já pode enfrentar a partir da próxima semana o segundo processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. O relator do processo, senador João Pedro (PT-AM), disse que seu parecer estará pronto para ser votado a partir de terça-feira no plenário do conselho.
''Eu já comuniquei o senador Leomar Quintanilha (presidente do Conselho de Ética, do PMDB-TO) que desejo apresentar meu relatório na semana que vem. O resultado caberá ao conselho definir'', disse.
João Pedro não quis adiantar o seu parecer, mas sinalizou que deve recomendar a absolvição de Renan nas denúncias de que teria beneficiado a Schincariol junto ao INSS - depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) por um preço acima do mercado.
Senadores da base governista e da oposição já defenderam publicamente o arquivamento da segunda representação contra Renan porque consideram que as denúncias devem ser investigadas pela Câmara - já que o irmão de Renan é deputado federal.
Muitos parlamentares afirmam que, ao contrário da primeira representação contra Renan, a segunda tem elementos mais frágeis para a sua sustentação.
No primeiro processo - em que foi absolvido ontem pelo Senado - Renan é acusado de usar dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
O DEM e o PSDB apostam que Renan enfrentará dificuldades no terceiro processo, no qual é acusado de ter usado laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas com recursos não declarados à Receita Federal.
Os dois partidos defendem que o terceiro processo seja apensado - reunido - à quarta representação contra Renan - que ainda não chegou ao Conselho de Ética.
De autoria do PSOL, a última representação cobra investigações sobre a denúncia de que Renan teria integrado um esquema de desvio de dinheiro em ministérios controlados pelo PMDB com o apoio do lobista Luiz Garcia Coelho.

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