Conselho quer ouvir deputados este mês
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Ricardo Izar (PTB-SP), quer adiantar o depoimento dos cinco deputados federais apontados por Roberto Jefferson (PTB-RJ) como envolvidos no esquema do ''mensalão''. Izar também pretende cruzar informações e trocar documentos com a CPI dos Correios.
Ele enviou ofício aos parlamentares José Dirceu (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PL), José Janene (PP-PR), José Borba (PMDB-PR) e Pedro Correia (PP-PE) para que se manifestem sobre a viabilidade de transferir suas apresentações para este mês, em vez de agosto, como estava previamente agendado. Desses, segundo Izar, apenas Dirceu telefonou para informar que está à disposição.
O presidente do Conselho quer adiantar os depoimentos porque avalia que ainda há muito trabalho a ser feito e, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda não foi votada na Câmara, o que impede o recesso, ''é preciso ganhar tempo''.
Se, de um lado, o Conselho pode avançar com as declarações dos parlamentares, por outro enfrenta adiamentos de reuniões já agendadas. Marcado para hoje, o depoimento das funcionárias da agência SMPB Geiza Dias Santos e Simone Vasconcelos foi prorrogado para data ainda não definida.
Geiza e Simone foram apontadas por Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, como responsáveis por saques vultosos na agência do Banco Rural. O dinheiro, segundo Karina, servia para pagar o ''mensalão'' a deputados da base de apoio ao governo.
Hoje, o Conselho se reúne para avaliar documentos e traçar novos rumos. Está prevista para esta quarta a sabatina de Eduardo Medeiros, diretor de Tecnologia dos Correios. Ele foi indicado ao cargo pelo ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. De acordo com Roberto Jefferson, Medeiros favoreceu empresas em licitações.
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), não irá depor no Conselho. Hoje, Izar deverá encaminhar ao tucano um questionário sobre o ''mensalão'', que será respondido e enviado ao Conselho. Perillo disse que no ano passado avisou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ''mensalão''.
Na outra frente de investigação, a Comissão de Sindicância da Corregedoria está cruzando dados dos depoimentos já tomados. No entanto, até ontem não havia definição se continuaria a ouvir testemunhas ainda neste mês.
Mensalão - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quer definir até hoje os nomes dos integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Mista do Mensalão. Renan se reunirá hoje, às 15 horas, com todas as lideranças partidárias da Câmara e do Senado e, segundo sua assessoria, espera que os nomes dos integrantes da CPI do Mensalão já estejam definidos. Caso falte alguma das 34 indicações, Renan deve designar os integrantes que faltarem.
A comissão se destina a investigar o suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base, o chamado mensalão. Devido a um acordo de lideranças, a CPI vai investigar ainda as denúncias de compra de votos no período do governo Fernando Henrique Cardoso, mais precisamente para a aprovação da PEC (proposta de emenda constitucional) que permitiu a reeleição em cargos no Executivo.


