O Conselho Regional de Contabilidade do Paraná solicitou informações ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina acerca dos 11 contadores envolvidos na operação Publicano, que resultou em denúncia contra 62 pessoas acusadas de ter participado da organização criminosa da qual faziam parte 15 auditores fiscais que cobravam propina de empresários que deixavam de recolher impostos estaduais, especialmente o ICMS.
No esquema, contadores abriram empresas de fachada e auxiliaram empresários – seus clientes – a fechar acordos de corrupção com os auditores e a sonegar impostos. Vários contadores, porém, firmaram acordo de delação premiada e contaram aos promotores detalhes do esquema criminoso.
A presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), Lucélia Lecheta, disse que as informações relativas à participação de contadores nas fraudes serão encaminhadas ao Conselho de Ética Profissional, que deverá instaurar processos. "Os processos podem resultar em advertência reservada, censura pública, suspensão por tempo determinado do exercício da profissional e cassação do registro", enumerou a contadora, lembrando que a pena depende da gravidade da conduta. Como o CRC ainda não recebeu os documentos, não há data para abertura dos processos.
Lucélia considera grande o número de profissionais envolvidos e acredita que a sociedade e os demais profissionais merecem um resposta do conselho da classe. "É um número grande de envolvidos, o que nos causa tristeza. Devemos agir para dar tranquilidade à sociedade e aos profissionais, que tem manifestado muito preocupação sobre os fatos investigados em Londrina."
Ela acrescentou que o Conselho age sempre que toma conhecimento, ainda que pela imprensa, de notícias acerca do envolvimento de contadores em atos ilícitos. "Algumas vezes, o próprio Judiciário, ao final de um processo, nos encaminha cópia para que tomemos as providências cabíveis."

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