Conselho planeja afastar Eduardo Cunha do cargo
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Aguirre Talento, Ranier Bragon, Daniela Lima e Gustavo Uribe<br> Folhapress 
Brasília - A cúpula do Conselho de Ética traça uma estratégia para pedir ao plenário da Câmara o afastamento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de processo de cassação no conselho, que tem usado seu cargo para manobrar pelo adiamento do processo. A ideia é entrar com um projeto de resolução no próprio conselho pedindo o afastamento cautelar de Cunha, sob argumento de que está usando a máquina para emperrar o processo. Caso aprovado no conselho, o projeto iria para o plenário. "Se eu puder ir ao papa para afastar o Cunha, eu vou", declarou o presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA).
Em mais uma manobra para atrasar o processo de cassação de seu mandato, Cunha conseguiu ontem destituir o relator do processo no conselho, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), protelando mais uma vez a tramitação. Cunha usou o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), para obter uma decisão da mesa diretora que destituiu Pinato da relatoria. Tanto Cunha como Waldir Maranhão são investigados na Lava Jato. Araújo escolheu como novo relator do processo, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO). Ele deve manter o voto pela admissibilidade do processo de cassação contra Cunha. Araújo afirmou que irá votar o relatório na próxima terça-feira, mas os aliados de Cunha tentarão novamente adiar a votação.
Diante das ameaças de ser afastado, Cunha protocolou um documento no Supremo Tribunal Federal (STF) se defendendo das acusações de que está usando seu cargo para atrapalhar o processo de sua cassação. Na petição, a defesa de Cunha diz que ele está apenas exigindo que seja respeitado o devido processo legal no conselho e diz que as reclamações sobre suas manobras se devem a "divergências exclusivamente políticas".
"Eu cheguei a pensar que eu poderia morrer, sim." Assim o deputado Fausto Pinato (PRB-SP), em seu primeiro mandato, resume as pressões que passou a sofrer desde que foi escolhido como relator do processo de cassação de Cunha. Pinato afirmou que sofreu ameaças de morte e registrou um boletim de ocorrência confidencial junto à Secretaria de Segurança de São Paulo. E detalhou: "Falaram para pensar na minha família, que eu tinha filho pequeno, filha pequena, irmão pequeno". Diz que também fez uma representação ao Ministério da Justiça.


