Conselho pede quebra de sigilo de Delúbio e empresas
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Fábio Zanini e<br>Ranier Bragon<br>Folhapress 
Brasília - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pedirá à Justiça a quebra do sigilo bancário das agências de publicidade DNA e SMP&B e a quebra do sigilo telefônico do proprietário das empresas, Marcos Valério, e do tesoureiro do PT, Delúbio Soares. A intenção é investigar a relação entre Delúbio e as empresas e tentar mapear movimentações financeiras que corroborem ou não a acusação de que Valério e Delúbio distribuíram mesadas de R$ 30 mil a deputados federais. O requerimento foi feito pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), integrante do Conselho.
''A quebra dos sigilos bancários e telefônicos podem comprovar qual a relação que Marcos Valério tem com Delúbio e com o PT'', declarou.
Para que os sigilos sejam efetivamente quebrados é preciso seguir um ritual. O pedido de Fruet será remetido à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Em seguida, ele tem de ser votado no plenário da Câmara para ser encaminhado à Justiça, que determinaria a quebra. O processo é mais demorado que o de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que autoriza automaticamente essas medidas.
Ontem, o Conselho também aprovou requerimentos de convocação de dez deputados federais citados pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), em seu depoimento. Os primeiros parlamentares devem comparecer na terça-feira ao conselho. Os deputados convidados a comparecer são: Pedro Corrêa (PP-PE), José Múcio Monteiro (PTB-PE), Bispo Rodrigues (PL-RJ), Valdemar Costa Neto (PL-RJ), Pedro Henry (PP-MT), Miro Teixeira (PT-RJ), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandro Mabel (PL-GO), José Janene (PP-PR) e Raquel Teixeira (PSDB-GO).
Outra decisão foi a de convidar Roberto Jefferson para um novo depoimento, já que vários parlamentares apontaram contradições entre as entrevistas e o depoimento do presidente do PTB.
A outra linha de investigação na Câmara também se movimentou ontem. A Corregedoria ouviu, em sessão fechada, o depoimento do presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), acusado por Jefferson de ser um dos integrantes do esquema do mensalão. Corrêa negou todas as acusações e entregou à Corregedoria um carrinho abarrotado de papéis que seriam os relatórios sobre a sua movimentação bancária, fiscal e telefônica dos últimos anos. ''Podem me investigar de cima pra baixo, de baixo pra cima, não devo nada'', afirmou.
A Corregedoria ouviria ontem o senador Ney Suassuna (PB), líder do PMDB, acusado por Jefferson de ter relações com arapongas. Ao saber que o horário e o local do depoimento haviam chegado ao ouvido de repórteres, Suassuna cancelou sua ida. A Corregedoria marcou a quarta-feira o depoimento de Jefferson, que será tomado em seu apartamento.


