Brasília - Em um dos dias mais tensos desde a abertura da série de processos de cassação de deputados acusados de envolvimento no escândalo do ''mensalão'', o Conselho de Ética da Câmara recomendou ontem a perda de mandato de Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP). A apresentação do parecer sobre o caso de Luizinho foi tumultuada, com troca de farpas entre deputados, e refletiu o clima de pressão que cercava o conselho nos últimos dias. O relator do processo, Pedro Canedo (PP-GO), fez ajustes no texto do voto, que tem apenas seis páginas, horas antes de sua leitura.
Irritado, Luizinho acusou o relator de ter cedido a ''pressões políticas'' para mudar seu voto na última hora. Na véspera da leitura do parecer, o petista dava como certa sua absolvição em conversas com aliados nos corredores. ''Não tenho dúvida que a pressão exercida sobre o relator foi violenta. É óbvio, só foi a pressão política para fazê-lo mudar de opinião'', disse Luizinho. ''O conselho tem de demonstrar que cada caso é um caso, não pode querer dar a pena de morte para quem bate uma carteira e para quem assassina, ou para quem passa na rua e é confundido.''
Integrantes do conselho confirmaram a versão de que Canedo, pressionado por PP e PT, tentou até ontem buscar uma saída para recomendar pena mais branda ao petista ele queria a suspensão. Pesou contra Canedo a ameaça feita por membros do conselho de que seu parecer seria derrubado caso ele optasse pela absolvição.
Além disso, ele foi alertado pelo corregedor da Casa, Ciro Nogueira (PP-PI), de que uma pena alternativa poderia gerar um imbróglio jurídico. Na avaliação de técnicos da Casa, as representações em curso pedem manifestação do conselho sobre a ''procedência'' ou não do pedido de perda de mandato. Uma suspensão, portanto, seria atribuição do plenário e não do conselho.
Canedo admitiu ter sofrido pressão ''de todos os lados'' e disse que optou pela cassação porque Luizinho mentiu. ''Ele faltou com o decoro, mentiu, se contradisse e apresentou uma história inverossímil'', afirmou. Luizinho é acusado de ser beneficiário de R$ 20 mil do esquema montado por Marcos Valério de Souza. O dinheiro foi sacado por um assessor do seu gabinete. Ele diz que não sabia da operação e que os recursos abasteceram campanhas de vereadores do PT no ABC paulista.
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) pediu vista do relatório, o que retarda a votação em duas sessões ocorrerá provavelmente na próxima terça ou quarta-feira.
O primeiro processo do dia, elaborado por Nelson Trad (PMDB-MT), sugeriu a cassação de Roberto Brant (PFL-MG) por uso de caixa dois. O parecer desvincula o caso de Brant ao esquema do ''mensalão'' e faz diversos elogios ao ''caráter de cidadão probo demonstrado ao longo de sua carreira política''. Apontado como destinatário de R$ 102 mil do ''valerioduto'', Brant disse ter certeza de que será absolvido, mas afirmou que mesmo que isso ocorra não tentará a reeleição. ''Claro que vou ser absolvido. Mas não volto nem morto, nem de graça e nem amarrado.''
O parecer contra Brant será votado na próxima terça-feira porque os membros do PFL no conselho pediram vista em conjunto do texto. Hoje, o conselho votará o parecer que sugere a cassação do mandato de Wanderval Santos (PL-SP).

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