Sentido-se atingidos pelas denúncias de corrupção que resultaram na prisão de 20 pessoas pela Operação Antissepsia, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os conselheiros municipais de saúde aprovaram em reunião extraordinária realizada na segunda-feira à noite, um pedido para que o Ministério da Saúde faça uma auditoria nas contas da Secretaria Municipal de Saúde, com atenção especial aos pagamentos feitos às Oscips Instituto Atlântico e Instituto Gálatas.
''Não vejo nenhum problema nisso. Essa auditoria nos auxilia'', disse a secretária Ana Olympia Dornellas, que preside o Conselho.
Na reunião extraordinária, os conselheiros também pediram que o prefeito Barbosa Neto (PDT) faça uma moção de desagravo ao Conselho já que ele teria colocado todos no ''mesmo pacote'' quando se referiu ao fato de que dois conselheiros - Marcos Ratto, representante do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), e Joel Tadeu Correa, das Associações de Moradores - receberiam dinheiro irregularmente dos institutos.
Os dois já foram destituídos das funções na última sexta-feira, após ofício do Ministério Público solicitando que o Conselho adotasse as providências regimentais em relação às condutas de ambos. Marcos Ratto também foi afastado de sua função de secretário-geral do Sindserv. Segundo o presidente da entidade, Éder Pimenta, ele ficará 180 dias como suplente e terá de retomar suas funções como servidor público. Após esse prazo e apresentar sua defesa, Ratto poderá ter o mandato no sindicato cassado.
Pressão
Alguns conselheiros também justificaram a decisão de aprovar, em dezembro passado, a contratação das Oscips para executar os serviços de saúde (Samu, Programa Saúde da Família, Policlínica, entre outros). ''Houve pressão de dois conselheiros naquela reunião. Eles disseram que se não aprovássemos a contratação dos institutos, os usuários ficariam sem atendimento e a culpa seria nossa'', disse Maria Osvaldina Melo de Oliveira, representante dos usuários no conselho. ''Não tínhamos outra alternativa.''
Àquela ocasião, pelo menos seis entidades apresentaram propostas para executar os serviços. As consideradas mais viáveis foram duas entidades tradicionais em Londrina: HUTEC e Santa Casa. Porém, os valores dessas propostas seriam muito elevados.
''O secretário da época (Agajan Der Bedrossian) disse que não havia dinheiro e que o prefeito ou o secretário de Gestão Pública tinham pedido que aprovássemos uma proposta com valor mais baixo. Havia dois conselheiros muito radicais que queriam, a todo custo, a aprovação das entidades e o secretário foi, pelo menos omisso'', relatou o médico José Luiz Camargo, representante dos trabalhadores médicos no Conselho. ''Então houve pressão do gestor sobre o conselho quando afirmou que não havia dinheiro.''

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