Brasília - O Conselho de Ética da Câmara livrou ontem três deputados acusados de envolvimento nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas, na legislatura passada, da abertura de processos de cassação de mandato por falta de decoro parlamentar. Inconformado com o resultado da votação, o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) renunciou à vaga no Conselho de Ética. ''O conselho está dirigido partidariamente'', protestou Trad.
Nove conselheiros, todos governistas, aprovaram o relatório do deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS), com adendo do petista José Eduardo Cardozo (SP). Para eles, a investigação seria uma afronta à vontade dos eleitores que votaram nos três parlamentares e os reconduziram à Câmara, apesar das denúncias. Quatro deputados - três oposicionistas, além de Trad - votaram contra o relatório.
Livraram-se da investigação do conselho os deputados Paulo Rocha (PT-PA) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusados de receber dinheiro do caixa 2 do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, e João Magalhães (PMDB-MG), suspeito de participar da máfia das ambulâncias. Rocha e Costa Neto renunciaram aos mandatos de deputado na legislatura passada para escapar do processo.
Magalhães não chegou a renunciar, mas o processo aberto contra ele no conselho foi arquivado quando a legislatura passada chegou ao fim. A maioria dos conselheiros entendeu que, eleitos novamente, os deputados devem começar do zero sua atuação parlamentar.

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