O senador Jader Barbalho (PMDB-PA), presidente licenciado do Senado, será investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a partir de quinta-feira. O presidente do conselho, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), decidiu aceitar os pedidos de investigação de Jader apresentados pelo bloco de oposição. A oposição quer que o conselho apure se Jader quebrou o decoro parlamentar, o que pode levar à cassação de seu mandato. Mestrinho recebeu ontem os dois requerimentos da oposição apresentados durante o recesso.
No primeiro, o bloco de oposição pede que o conselho investigue se Jader mentiu em discurso no plenário sobre o desvio de dinheiro do Banpará (Banco do Estado do Pará).
No outro requerimento, a oposição quer a investigação de duas denúncias contra Jader. A primeira, em relação à suposta cobrança de propina pelo senador para liberação de financiamento da extinta Sudam. A revista ‘‘Istoɒ’ publicou diálogos em que Jader é acusado de cobrar R$ 5 milhões para liberar financiamentos em 1998.
A segunda trata da compra da Fazenda Chão Preto, que pertencia ao empresário José Osmar Borges, acusado de fraudar a Sudam. Em discurso no plenário, Jader disse que a negociação foi registrada na declaração do Imposto de Renda da agropecuária Rio Branco, de propriedade do senador. A ‘‘Folha de S.Paulo’’ teve acesso a cópia da declaração dos últimos cinco anos e não consta a compra.
Segundo Mestrinho, todas as denúncias serão investigadas pelo conselho. ‘‘O conselho vai dar a resposta que a opinião pública espera’’, afirmou Mestrinho. O senador disse que vai agir com ‘‘cuidado’’ em relação às denúncias contra Jader, mas que ‘‘tudo’’ será esclarecido. ‘‘Falaram tanto da minha amizade com Jader – que prezo – mas vou agir com independência e isenção, buscando esclarecer tudo’’, assegurou.

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