Brasília - O presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), anunciou ontem o envio da representação do PSOL por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para a Mesa Diretora do Senado -o que atrasa o processo de investigação. Ele é acusado de envolvimento com o lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior, que arcaria com o pagamento de pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso -com quem Renan tem uma filha.
Com essa manobra, Sibá acabou adiando a abertura de um eventual processo contra Renan dentro do Conselho de Ética. Caberá à Mesa Diretora do Senado decidir se o processo pode ser investigado no Conselho de Ética. A Mesa é presidida por Renan, alvo da representação do PSOL.
Sibá alega que regimento do Senado determina que a representação tem que ser analisada primeiro pela Mesa Diretora porque foi protocolada por um partido. ''A representação em questão deve ser dirigida à Mesa a quem compete realizar o juízo de admissibilidade da matéria para então encaminhá-la ao Conselho de Ética. Esse procedimento tem a finalidade de evitar vícios que possam ser alegados posteriormente e anular o processo.''
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) considerou estranha a atitude de Sibá de não dar início ao processo diretamente no Conselho de Ética. ''Esse superpoder dado à Mesa me parece estranho e exagerado. O Conselho de Ética deveria ter o direito de discutir a representação.''
Simon sugeriu que Renan se licencie do cargo de presidente do Senado para que a Mesa possa opinar com isenção a admissibilidade da representação.
Ontem, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse que há precedentes na Casa de processos que seguiram diretamente para o Conselho de Ética, sem passar pela Mesa Diretora.

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