Brasília - O Conselho de Ética do Senado deve ser comandado por um aliado do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), o que poderá favorecê-lo em um eventual processo de cassação por quebra de decoro parlamentar. A Folha apurou que o acordo está sendo alinhavado pelo PT e PMDB que já lançaram três nomes para a disputa pela presidência do órgão: Sibá Machado (PT-AC), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Leomar Quintanilha (PMDB-TO).
A decisão será tomada às 10 horas de hoje, quando o Conselho de Ética se reúne pela primeira vez e escolhe os nomes para a presidência e vice-presidência do órgão.
Em reunião realizada ontem, o PT decidiu que Sibá deverá representar o partido na disputa pelo comando do Conselho de Ética. ''Será uma missão espinhosa. Julgar um colega de trabalho é sempre difícil'', disse ele.
O PT decidiu substituir a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) que pediu para deixar o Conselho de Ética. No lugar dela será indicado o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), amigo do senador José Sarney (PMDB-AP) - um dos principais conselheiros de Renan nesse caso em que é acusado de ter sido favorecido por um suposto pagamento das despesas pessoais pela construtora Mendes Júnior. Entre as despesas estaria aluguel e pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha, segundo reportagem da revista ''Veja''.
O novo presidente do Conselho de Ética do Senado poderá arquivar ou despachar sobre o caso Renan, se o corregedor-geral da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), decidir que há elementos para instaurar processo contra ele.
O corregedor disse, porém, que os integrantes do conselho têm autonomia para rejeitar a decisão do presidente do órgão. ''Os membros poderão rejeitar a decisão dele e apresentar outra proposta. Acredito que poderá pedir para aguardar um pouco mais.''
Tuma disse que a corregedoria quer ouvir o depoimento do jornalista da revista ''Veja'' responsável pela denúncia contra Renan, o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, além do advogado da jornalista Mônica Veloso.
O corregedor disse não ser favorável ao afastamento de Renan da presidência do Senado no decorrer das investigações. ''É uma questão muito pessoal do presidente'', disse.

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