Brasília - O Conselho de Ética da Câmara começa a ouvir hoje os deputados citados no depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre as denúncias de corrupção no governo federal. O Conselho também tentará aprovar requerimentos para convidar integrantes do PT a prestar esclarecimentos sobre o suposto pagamento de ''mesada'' a deputados do PL e do PP. Os dois primeiros parlamentares a passar pelo Conselho, hoje, serão Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Miro Teixeira (PT-RJ). Leréia disse que a deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO), atual secretária de Ciência e Tecnologia de Goiás, teria recebido uma proposta financeira para trocar de legenda e integrar a base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados.
No caso de Miro Teixeira, segundo Jefferson, ele teria sido informado da existência do esquema do ''mensalão'' no ano passado. À época, Miro chefiava o Ministério das Comunicações e era filiado ao PDT. Em seguida, deixou o cargo para assumir a liderança do governo na Câmara, na reforma ministerial.
A secretária do governo goiano será ouvida amanhã. Seu nome foi divulgado depois que o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) revelou ter alertado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que dois deputados goianos teriam sido abordados para trocar de partido em troca de dinheiro. No mesmo dia, deverá ser ouvido o deputado Pedro Henry (PP-MT), um dos acusado por Jefferson de ter recebido o chamado ''mensalão''.
O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), afirmou que outros três deputados também deverão ser chamados para prestar depoimento ainda nesta semana. Na lista, estão os nomes de Sandro Mabel (GO), Valdemar Costa Neto (PL-SP), José Múcio Monteiro (PTB-PE), Pedro Corrêa (PP-PE), Carlos Rodrigues (PL-RJ) e José Janene (PP-PR).
Segundo Izar, o ministro demissionário José Dirceu (PT-SP), que reassumirá amanhã seu mandato na Casa, deverá ser convidado pelo conselho. Até então, Dirceu foi arrolado pelo presidente do PTB como sua testemunha. Dirceu deve depor também nesta semana na Corregedoria da Câmara, outra frente de investigação montada na Casa. Nesse caso, o depoimento é fechado. A Corregedoria já ouviu três deputados e ouvirá Jefferson amanhã, em seu apartamento.
Composto por 15 integrantes, o Conselho de Ética tem prazo de 90 dias para apresentar seu parecer sobre o pedido de cassação do mandato de Roberto Jefferson, movido pelo PL. Jefferson foi ouvido no último dia 14. Já a Corregedoria da Câmara investiga as denúncias de Jefferson sobre o pagamento do ''mensalão''. Na prática, o resultado de ambas as investigações é a cassação ou não de mandatos.
O governo tenta evitar que figuras-chave do caso sejam chamadas a depor, entre elas o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira, e o secretário de Comunicação, Marcelo Sereno.

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