Brasília - O Conselho de Ética do Senado deve concluir o julgamento do processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) só em meados de setembro. Pelos cálculos do senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do caso, serão necessários, pelo menos, mais 45 dias para o conselho chegar à fase final do processo - que é a votação do relatório que será feito pela comissão tripartite de senadores.
''Nosso esforço e empenho é para trabalhar com celeridade. No entanto, existem prazos que devem ser seguidos'', afirmou Casagrande, que relata o processo com mais dois senadores: Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE).
Após três reuniões realizadas ontem, o presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), e os relatores, decidiram estabelecer três prazos. Até terça-feira, Renan e o PSOL -autor da representação contra o peemedebista de quebra de decoro- devem apresentar questionamentos para as investigações. Depois, o presidente do Senado terá mais cinco dias para apresentar sua defesa.
Paralelamente, Renan terá de reunir mais documentos - que serão definidos na segunda-feira - para encaminhar à Polícia Federal. A PF fará uma perícia mais aprofundada para verificar a autenticidade e as transações realizadas pelo peemedebista no período de 2002 a 2006.
Renan é acusado de ter utilizado dinheiro da construtora Mendes Júnior, via lobista Cláudio Gontijo, para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. Ontem, o peemedebista reiterou que irá provar sua inocência: ''Eu nunca exigi a presunção da inocência. Fiz a prova contrária e essas provas vão aparecer ou no Conselho de Ética, ou no plenário, mas demonstrarão sobejamente a minha inocência''.
O Conselho de Ética do Senado também vai fazer um levantamento da evolução patrimonial de Renan entre os anos de 2002 e 2006 para comparar com a execução de obras da empreiteira Mendes Júnior no mesmo período.
Dois dos novos relatores do processo contra Renan no conselho - Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) - decidiram na manhã de ontem aprofundar as investigações sobre o presidente do Senado e solicitar à Polícia Federal o aprofundamento da perícia nos documentos encaminhados pelo senador.
O Conselho de Ética vai aguardar o resultado da perícia da PF nos documentos para dar continuidade às investigações sobre o caso Renan.

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