Brasília Depois de uma semana conturbada, o Conselho de Ética da Câmara deverá aprovar hoje, com folga de votos, o parecer que recomenda a cassação do mandato do presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), numa tentativa de rechaçar as denúncias de ''acordão'' para livrar deputados. Segundo avaliação de membros do conselho, o placar adverso a Corrêa serviria como retaliação ao desgaste causado pela pressão explícita exercida por ele sob Pedro Canedo (PP-GO), na semana anterior, que deram origem às denúncias de ''acordão''.
Na ocasião, Canedo afirmou ter sido pressionado por Corrêa para votar pela absolvição de Roberto Brant (PFL-MG). Ontem, na véspera da votação do processo contra o presidente do PP, Canedo perdeu a vaga de deputado. Suplente, ele teve de devolver a cadeira para Leonardo Vilela (PSDB-GO), que deixou a secretaria estadual de Infra-estrutura de Goiás para reassumir o mandato. O vice-governador de Goiás, Alcides Rodrigues, é filiado ao PP.
Canedo negou que a data escolhida para ser substituído tenha sido retaliação. ''Foi mera coincidência.'' A direção do PP também negou que a mudança tenha sido proposital.
A expectativa dos integrantes do conselho é que Corrêa não deverá obter mais do que três ou quatro votos a seu favor dos 14 possíveis. Deverão votar favoráveis ao pepista os dois membros do seu partido no conselho, Benedito de Lira (AL) e o outro integrante que será indicado hoje, além da petista Ângela Guadagnin (PT-SP), que optou pela absolvição de todos os acusados até agora, com exceção de Roberto Jefferson (PTB-RJ). Outro eventual voto a favor de Corrêa poderá vir do PFL.
''A pressão da semana passada pode se refletir contra ele. Além disso, como o relator é do PSDB, a tendência é que o outro deputado do partido vote favoravelmente (ao parecer)'', afirmou Júlio Delgado (PSB-MG).
O parecer de autoria do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) sugere a cassação de Corrêa por ter ''ofendido a honradez que deve nortear as relações político-partidárias'' no escândalo do ''mensalão''. O relator vincula os repasses recebidos pelo PP, oriundos do caixa dois do PT, à adesão do partido à base aliada. O presidente do PP é acusado de ser destinatário de R$ 4,1 milhões do esquema de Marcos Valério de Souza. O pepista diz que recebeu R$ 700 mil, doados pelo PT, usados para pagar o advogado Paulo Goyaz, que defende o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em processos por compra de votos na eleição de 2002.

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