Brasília - O parecer que pede a cassação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), será apreciado hoje no Conselho de Ética e deve ser aprovado por 10 votos a 5, repetindo placar da semana passada, quando os integrantes do colegiado optaram por definir o destino de Renan em votação aberta. Hoje, ainda deverá ser realizada uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça, para decidir se o processo será ou não admitido. Se for, na semana que vem o plenário o votará. A pressa de Renan deveu-se à conversa que teve no fim de semana com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Este o aconselhou dar tramitação rápida ao processo.
Depois de exatamente três meses de tramitação do processo, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem Renan tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais.
Ontem, como em uma última cartada para tentar demover seus colegas de Senado de dar continuidade ao processo recomendando sua cassação - a palavra final cabe ao plenário -, Renan fez mais um discurso, que não pareceu ser suficiente para mudar posições.
O conselho vai votar hoje o parecer dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), que mencionam oito irregularidades cometidas por Renan e que caracterizariam quebra de decoro. Se aprovado, ficará prejudicada a apreciação de dois votos em separado dos senadores Almeida Lima (PMDB-TO) e Wellington Salgado (PMDB-MG).
A intenção de aliados de Renan recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o voto aberto foi definitivamente enterrada. O próprio presidente do Senado avisou que não compartilhará nenhum procedimento dessa natureza. Seu alvo agora é o plenário onde espera que a maioria dos 80 senadores, pelo voto secreto, arquive a denúncia contra ele.
Além do processo que será apreciado hoje, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere ao suposto envolvimento do peemedebista na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do irmão de Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL).
A outra, apresentada pelos Democratas e tucanos, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas.
A mais recente denúncia contra Renan, a de que se beneficiaria de propina coletada nos ministérios comandados por peemedebistas, será alvo de um pedido de aditamento do PSOL às representações que já estão em curso. O senador José Nery (PA) afirmou que se o pedido for recusado o partido entrará com nova representação para investigar o que chama de ''fatos tão graves''.

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