Em razão da gravidade das denúncias que envolvem pelo menos 60 auditores da Receita Estadual do Paraná – principalmente de Londrina e da alta cúpula, em Curitiba -, o Conselho Superior dos Auditores Fiscais (Csaf) deve recomendar a abertura de processo administrativo disciplinar (PAD) contra todos os réus da Operação Publicano, deflagrada em março pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina. Foi o próprio presidente substituto do Csaf, Renato Milaneze, quem adiantou a posição do conselho. "São denúncias muito graves e posso adiantar que o Conselho vai recomendar ao secretário de Fazenda a abertura de PAD para aprofundamento desses fatos."
Na terça-feira, em reunião extraordinária, os cinco membros do conselho escolheram, por sorteio, o conselheiro Edson Luciani de Oliveira, para preparar um parecer sobre o relatório de 3.356 folhas enviado ao Csaf na quinta-feira passada pela Corregedoria-Geral da Receita. Neste documento, a Corregedoria sugere a abertura de PAD contra todos os auditores e aponta que a medida disciplinar cabível seria a demissão do serviço público. "O prazo regimental para o Csaf fazer essa análise é de 90 dias, mas, já está decidido que em no máximo três semanas, vamos ter esse parecer e fazer a votação em nova reunião extraordinária do conselho", explicou Milaneze.
Segundo ele, os conselheiros têm pressa em dar uma respostas devido à "pressão externa e interna". "A pressão interna vem da própria Sefa (Secretaria de Fazenda), que tem pedido agilidade e a pressão externa é do ‘clamor popular’, da imprensa", afirmou, negando que qualquer dos investigados tenha feito qualquer pedido ao conselho.
Milaneze explicou que o parecer do Csaf – órgão de aconselhamento do secretário de Fazenda – será posteriormente analisado pelo secretário Mauro Ricardo Costa, que tem a palavra final sobre a abertura de PAD. "Normalmente, o secretário acata a deliberação do conselho."
Em duas ações, que tramitam na 3ª Vara Criminal de Londrina, os auditores são acusados de integrarem organização criminosa incrustada na Receita para exigir propina de empresários e permitir a sonegação fiscal.

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