São Paulo - No primeiro depoimento público depois de sua saída da Casa Civil, o ex-ministro José Dirceu irá falar aos membros do Conselho de Ética da Câmara amanhã sobre as acusações de que ele estaria envolvido no esquema do ''mensalão''. No mesmo dia, membros da CPI deverão votar requerimento para sua convocação.
Dirceu, que se manteve isolado nos últimos dias, deverá agora incluir na sua estratégia mais argumentos para se defender das recentes denúncias de que Roberto Marques, seu assessor, teria sido autorizado a fazer saque de R$ 50 mil em uma das contas das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do ''mensalão''.
Simone Vasconcelos, diretora financeira da SMPB, uma das empresas de Valério, confirmou ter autorizado Marques a sacar em São Paulo o dinheiro em uma agência do Banco Rural. A diretora disse que confirmará a versão -que ligaria Dirceu ao esquema do suposto ''mensalão''.
A revista ''Veja'' desta semana divulgou cópia de um documento apreendido pela PF em Belo Horizonte (MG) que complicou a situação de Dirceu: uma lista com a relação das pessoas autorizadas a retirar dinheiro da conta de Valério -entre elas, seu assessor Roberto Marques. Ambos emitiram nota negando tudo.
A sessão do conselho também poderá ser a antecipação de uma acareação com o ''rival'' Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor da denúncia sobre a existência do pagamento de mesada a congressistas da base aliada. Ao denunciar o ''mensalão'', o deputado fluminense afirmou que Dirceu seria um dos protagonistas do esquema.
Na semana passada, Jefferson disse que iria acompanhar o depoimento de Dirceu -que assumiu seu mandato de deputado depois de sair da Casa Civil- da primeira fila e poderá pedir a palavra por dez minutos, de acordo com o regimento da Casa. Conhecido pela sua personalidade forte, Dirceu não deverá deixar provocações sem resposta.

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