Conselho de Ética indica afastamento de Derosso
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quinta-feira, 01 de setembro de 2011
Luciana Cristo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O relatório do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba apontou para o afastamento temporário do presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB), pelo período de 90 dias. Derosso é acusado de beneficiar a esposa, Claudia Queiroz Guedes, em licitação para contratar empresas de publicidade para a Câmara, pelo período de cinco anos.
A votação para o afastamento de Derosso, que deveria ter ocorrido na sequência da leitura do relatório - de autoria do vereador Jorge Yamawaki (PSDB) - foi adiada para a próxima segunda-feira, após pedido de vistas da matéria, feito pelos vereadores Pastor Valdemir Soares (PRB) e Noêmia Rocha (PMDB). Entre as sanções previstas no regimento interno, o afastamento temporário é uma das mais graves, atrás apenas da cassação do mandato do parlamentar. ''Não tenho prova cabal e concreta para a cassação'', respondeu Yamawaki.
Na avaliação do relator, a responsabilidade maior das irregularidades não é de Derosso, mas de Claudia, que na época da assinatura do primeiro contrato de publicidade firmado entre a empresa que administra e a Câmara, era funcionária do Legislativo municipal. ''Fizemos oitivas com o pessoal de recursos humanos e de administração da Câmara e eles admitiram falha por parte deles, mas quando a pessoa assina o documento que está hábil para participar do processo, pressupõe-se que todos são honestos. Foi um pouco de falta de atenção'', caracterizou ele.
Yamawaki, no entanto, admitiu que durante a elaboração do seu relatório, não houve análise detalhada de todas as notas fiscais de trabalho prestado pelas empresas de publicidade, para se averiguar como foi usado o dinheiro público destinado para o serviço. ''Detalhadamente, conforme relatei, nos dias que eu tinha para concluir, não deu tempo de analisar todas as notas. Não foi falta de vontade'', argumentou.
Para ele, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para tratar do assunto vai poder se debruçar sobre todos os documentos e, se for o caso, indicar a cassação de Derosso. ''Agora a CPI vai entrar em ação e vai poder pormenorizar. Claro que a obrigação de responder por um erro no final ele (Derosso) tem, mas no ato da assinatura, ele não vai ver papel por papel de cada contrato que assina'', afirmou o relator.
A bancada de oposição deve apresentar na próxima reunião do Conselho de Ética um relatório paralelo, sugerindo a cassação do mandato de Derosso, adianta o vereador Pedro Paulo (PT).


