Brasília - Se depender do Conselho de Ética do Senado, qualquer eventual investigação contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), vai ''patinar''. O Conselho, na prática, não existe há quase quatro meses. Desde o dia 6 de março, quando venceu o mandado de dois anos dos conselheiros, que permanece apenas no papel, aguardando a indicação de todos os 15 titulares e 15 suplentes pelos partidos políticos. Nem o PMDB nem o PSDB formalizaram as indicações de senadores para integrar o Conselho. O PSOL anunciou que pretende entrar, na semana que vem, com uma representação no Conselho por falta de decoro parlamentar contra o presidente do Senado.
Pelo regimento interno do Senado, o Conselho de Ética deveria ter seus integrantes indicados e empossados entre fevereiro e março deste ano. O DEM, o bloco de apoio ao governo (PT, PSB, PR, PRB e PC do B), o PTB e o PDT já formalizaram a indicação de quem vai integrar o Conselho. Mas alguns senadores não entregaram a documentação necessária para participar do Conselho, como a declaração de bens. Para que o Conselho comece a funcionar, falta a indicação de seis senadores titulares - quatro do PMDB e dois do PSDB - e nove suplentes.
O PSDB informou que os senadores Marconi Perillo (GO) e Marisa Serrano (MS) serão designados como titulares, enquanto Sérgio Guerra (PE), presidente do partido, e Arthur Virgílio Neto (AM), líder da legenda, serão suplentes. O PMDB pretende indicar os nomes que irão compor o Conselho ao longo da semana que vem.
O Conselho de Ética ganhou visibilidade há dois anos quando recomendou, por duas vezes, que o então presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), tivesse o mandato cassado. Condenado no Conselho, onde o voto é aberto, Renan escapou de perder o mandato pelo plenário do Senado, onde a votação é secreta.

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