Brasília - Em uma votação marcada por discursos emocionados, o Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem, por 12 a 2, relatório que recomenda a cassação do mandato do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) por envolvimento no escândalo do ''mensalão''. Queiroz foi o terceiro deputado condenado pelo Conselho à perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. O primeiro foi Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado em setembro, e o segundo, José Dirceu (PT-SP), que enfrentará o plenário no dia 23.
Minutos antes do início da votação, o secretário-geral do PTB, deputado Luiz Antonio Fleury Filho (SP), ainda tentou sustá-la, alegando que o prazo de cinco sessões para realizá-la expirou anteontem, mas acabou sendo voto vencido. Fleury disse que tentará anular a votação em recurso à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Além disso, o PTB já trabalhava para tentar reverter o resultado no plenário, cuja votação será secreta - para ser cassado, há necessidade de apoio ao parecer de ao menos 257 dos 513 votos.
Aprovado com uma série de ressalvas dos membros do Conselho, o parecer do deputado Josias Quintal (PSB-RJ) sustentava que o petebista quebrou o decoro ao admitir ter recebido R$ 453 mil do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do ''mensalão''. Desse total, R$ 350 mil seriam provenientes de um repasse do PT para o PTB, sacados das contas das empresas de Valério. O restante, outros R$ 103 mil, vieram por meio de uma contribuição da Usiminas que não foi declarada à Justiça Eleitoral.
Presidente estadual do PTB em Minas Gerais, Queiroz argumentou que os R$ 350 mil foram sacados por assessores e entregues integralmente à direção nacional do PTB. Sobre os R$ 103 mil, disse que repassou a candidatos a prefeito em Minas Gerais. ''Não botei um centavo no bolso. Apenas servi para facilitar para o meu partido'', repetiu Queiroz, argumentando que não era sua responsabilidade ter prestado conta das doações.
O plenário da Câmara aprovou ontem o arquivamento do processo contra o parlamentar Sandro Mabel (PL-GO), recomendado pelo Conselho de Ética da Casa. A votação deveria ocorrer na próxima semana, em respeito ao intervalo de duas sessões ordinárias entre a aprovação pelo Conselho e a apreciação pelo plenário, mas o próprio Mabel apresentou um requerimento ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), dispensando o intervalo. Na semana passada, o Conselho aprovou por unanimidade o parecer do relator Benedito de Lira (PP-AL), que pede o arquivamento do processo por falta de provas.

mockup