A três dias de definirem o destino político dos senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, os 16 integrantes do Conselho de Ética preparam-se para votar pela cassação, evitando externar suas opiniões, escapando, assim, da pressão popular e dos próprios colegas, além do constrangimento. O episódio deflagrou uma nova crise no Senado: ninguém mais quer ter mandato (de dois anos) de membro no conselho.
Os senadores Nabor Júnior (PMDB-AC) e Amir Lando (PMDB-RO) já anunciaram que pretendem deixar a função. ‘‘Não quero mais isso. Esse negócio só serve para a gente se desgastar e arranjar inimizade’’, disse Lando, que já comunicou à liderança do PMDB que, no fim de junho, quando acaba seu mandato, não quer ser reconduzido ao conselho.
Há, ainda, os que mantêm segredo até sobre o desejo ou não de permanecer no órgão, fazendo questão também de esconder como votarão na quarta-feira. ‘‘Tenho minha convicção formada, mas não posso revelar, sob pena de ser impugnado’’, comentou o senador Francelino Pereira (PFL-MG). Ele é considerado um dos indecisos, embora os carlistas acreditem que ele aceitará a recomendação da bancada de apoiar ACM.
O mal-estar causado pela impossibilidade de evitar a punição extrema contra os dois acusados foi agravado com o relatório de Saturnino Braga (PSB-RJ), avaliado como bem elaborado e correto, embora com uma conclusão polêmica. O choro, as lamúrias e até os beijos de um ACM dócil e afável foram recebidos com incômodo pela maioria dos parlamentares. ‘‘É tudo muito difícil. Como é que se deixa de atender a um colega? Por outro lado, tem um monte de e-mails e gente na rua pedindo pela cassação. É complicado’’, desabafou um tucano.
‘‘Agora não tem mais jeito porque o relatório disse tudo, não há como rebater. Podem até tentar, mas sem sucesso’’, comentou o líder da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE). A também petista Heloísa Helena (AL), membro do Conselho, evita pronunciar-se a respeito, mas avisou: ‘‘Isso não vai acabar em pizza.’’ Heloísa, ao lado de Ney Suassuna (PMDB-PB), do próprio Saturnino e do presidente do conselho, Ramez Tebet (PMDB-MS), são considerados votos garantidos a favor da cassação.
Os defensores mais aguerridos são os baianos Waldeck Ornelas (PFL) e Paulo Souto (PFL) e, mais timidamente, os peemedebistas Nabor Bulhões (AC) e Amir Lando (RO). Apesar da demonstração de convicção da tropa, o próprio Souto chegou a pensar em deixar o conselho para escapar da pressão. Sem êxito, decidiu proteger publicamente o amigo só no dia da apresentação do relatório, quando pediu vistas e informou que apresentaria voto em separado, atrasando a votação. (R.G. e T.M.)

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