Conselho de Ética abre processo contra Renan
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2007
Fernanda Krakovics e Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - O Conselho de Ética do Senado abriu ontem processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para investigar indícios de quebra de decoro parlamentar. O relator será o líder do PTB, senador Epitácio Cafeteira (MA), aliado da família Sarney e do mesmo grupo político de Renan.
Embora a tendência seja absolvê-lo, os líderes partidários quiseram evitar o desgaste político de arquivar de forma sumária a representação feita pelo PSOL ou de adiar mais uma vez a decisão. Renan foi avisado previamente da decisão.
Cafeteira afirmou na última segunda que não há provas contra Renan. ''Não vi nenhuma acusação documentada. Vamos investigar como?'' Depois de indicado relator, o senador tentou minimizar a declaração. ''Não conheço o processo'', disse ele, que estava no Maranhão e não participou da sessão.
O próximo passo é notificar o presidente do Senado para que ele apresente sua defesa no prazo de cinco sessões. A partir do momento que Renan for citado no processo, não poderá mais renunciar ao mandato para evitar eventual cassação.
Uma das preocupações de Renan era que o arquivamento sumário do processo levasse o PSOL ao Supremo para assegurar a investigação.
Renan minimizou a abertura do processo. ''Não tenho nenhuma preocupação com o Conselho de Ética. É um caminho para que possamos mostrar com todas as letras de que lado está a verdade. Já entreguei todas as provas e o que for necessário entregar mais, estou disposto a entregar.''
Renan é suspeito de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Ele entregava R$ 12 mil mensais a Mônica, com quem o presidente do Senado tem uma filha. Renan e Gontijo afirmam que o dinheiro era do senador.


