Conselho da UEM apóia reitora
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terça-feira, 29 de janeiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM) decidiu ontem emitir uma resolução de apoio à reitora Neusa Altoé, que se manifestou contrária aos atos administrativos de punição do governo do Estado contra professores da instituição. Em declaração feita na semana passada, a reitora afirmou que as atitudes do governo ferem a autonomia universitária. Em contrapartida, o governo anunciou que poderia exonerar a reitora do cargo e abrir um processo de intervenção na UEM.
Segundo a diretora do Sinteemar, sindicato dos servidores da UEM, Marta Beline, a resolução do conselho entra em confronto direto com a ameaça de intervenção do governo do Estado. Na semana passada, um processo administrativo aberto pela Procuradoria Geral do Estado decidiu pela demissão do professor Paulo Cezar de Freitas Mathias e pela suspensão de 90 dias do professor João Alencar Pamphille.
Para serem efetivadas, as punições dependem da assinatura de decretos por parte do governador Jaime Lerner (PFL). O processo foi aberto por causa da greve de 2000, quando os professores participaram de um ato de protesto que lacrou com solda a porta do prédio da Comissão de Vestibular Unificado localizado no campus da UEM.
Na ocasião, dirigentes sindicais consideraram o processo um ato político do governo para inibir o movimento grevista. O aspecto político ficou ainda mais acentuado em março do ano passado quando o então procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, deu um tapa no rosto do professor Paulo Mathias, durante um debate de televisão que discutia a abertura do processo administrativo.
Segundo o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhafitg, o governador vai se decidir pela assinatura ou não dos decretos depois da reunião com lideranças da sociedade civil de Maringá. O encontro está marcado para hoje à tarde, no Palácio Iguaçu. Vão estar presentes, a reitora Neusa Altoé, o arcebispo dom Murilo Krieger e representantes da prefeitura, da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) e do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).


