Conselho da CNBB critica reeleição
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sexta-feira, 28 de agosto de 1998
Sandra Sato Agência Estado 
Duas horas depois de fazer uma visita de cortesia ao presidente Fernando Henrique Cardoso, a cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou um manifesto com duras críticas à reeleição dos governantes que atingem o candidato Fernando Henrique. Segundo os 28 bispos do Conselho Permanente da instituição autores do documento, a adoção da reeleição no País contou com participação insuficiente da população e foi marcada por suspeições pouco favoráveis.
A afirmação é uma referência às denúncias de compra de voto de parlamantares, envolvendo integrantes do primeiro escalão do governo, para aprovar a emenda da reeleição no Congresso. A denúncia não foi comprovada, mas o conselho decidiu incluir essa crítica, na declaração intitulada Diante das Eleições de 1998, porque o povo acredita que realmente houve a negociata. É coisa que se diz nas ruas, justificou o presidente da CNBB, D. Jayme Chemello.
O presidente da entidade pedirá aos bispos e padres que orientem as comunidades a denunciarem os candidatos à reeleição que estejam fazendo uso da máquina do governo na campanha. A prática das campanhas está mostrando que, em nossa realidade cultural e política, ela cria grandes riscos de abuso da máquina governamental, escreveu na declaração o conselho permanente, o mais importante depois da assembléia geral na organização da CNBB.
O conselho de bispos também criticou os gastos acintosos em comparação às dificuldades vividas por tantos brasileiros, feitos pelos candidatos das eleições de outubro. Para o conselho, o poderio econômico cria falsas ilusões. O eleitor consciente tem de se negar a votar em quem assim abusa da ingenuidade popular, apelam os bispos na declaração. O candidato Fernando Henrique declarou ao Tribunal Superior Eleitoral previsão de gastos mais altos na campanha: R$ 72 milhões. Com o dinheiro que tenho, R$ 1 milhão já é alto, diz D. Chemello, revelando receber mensalmente menos de seis salários mínimos.
Quando foi recebido no Palácio da Alvorada por quase uma hora, D. Chemello não contou ao presidente Fernando Henrique que distribuiria, pouco depois, a declaração do Conselho Permanente sobre eleições. O encontro de apresentação da nova diretoria da CNBB gerou boatos na cidade de que a entidade apoiaria a reeleição do presidente. Nós não vamos nos definir por nenhum candidato ou partido, contestou D. Chemello, que orientará os padres a lerem durante as missas a declaração Diante das Eleições de 1998 e não indicarem nomes para os fiéis.
A Igreja quer convencer o eleitor a não vender o seu voto. A CNBB está colhendo assinaturas para apresentar projeto de lei de iniciativa popular com punição para o crime de compra de votos de eleitores. Por enquanto, trabalha na conscientização do eleitor para que ele, ao invés de assistir passivamente aos programas eleitorais, discuta as propostas dos candidatos. A declaração do conselho permanente adverte que a compra de votos é vitoriosa com a manutenção da pobreza e da baixa consciência política do povo. E ainda cita que dívidas sociais, como o desemprego, a seca no Norte, a concentração de renda, estão se agravando cada vez mais no País.Ed Ferreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Sem respaldoD. Chemello foi recebido ontem por FHC: o povo não foi ouvido suficientemente
Cúpula emite manifesto duro, diz que adoção do sistema é suspeita, avisa que não vota em FHC e não fecha com nenhum partido


