O futuro político do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), começa a se definir esta semana, com a decisão do presidente do Conselho de Ética, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), de examinar as duas representações da oposição. Numa delas, os parlamentares pedem ao conselho que se manifeste sobre dados do relatório do Banco Central que comprovariam a participação de Jader no esquema de desvio de recursos do Banpará na época em que governava o Estado.
Na outra, Jader terá de se manifestar sobre duas denúncias: a cobrança de ‘‘pedágio’’ em troca da liberação de financiamento da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e quanto ao fato de ter sonegado do Imposto de Renda, em 1999, a compra da Fazenda Chão Preto, que pertencia ao fraudador da Sudam, José Osmar Borges. Os fatos foram revelados pela imprensa.
A situação do presidente é difícil. Boa parte dos senadores acredita que ele não escapará de um processo por falta de decoro parlamentar.
Ou seja, Jader não conseguirá argumentos para justificar o fato de ter mentido a seus colegas para se defender. Até porque, não há mágica que justifique o patrimônio que acumulou em menos de 20 anos, vindo de uma família de origem humilde.
O corregedor-geral do Senado, senador Romeu Tuma (PFL-SP), membro nato do Conselho de Ética, já começou a investigar a denúncia de que Jader Barbalho seria parceiro de José Osmar Borges na Amazon Trading Group, que representaria a empresa brasileira Saint Germany na Flórida.
De acordo com a revista ‘‘Época’’, a ex-gerente da Amazon, Jaqueline Dias, teria afirmado que a empresa servia como fachada para o envio de dinheiro ao Exterior. Tuma pediu informação às autoridades americana. Segundo ele, a Polícia Federal já investigava a Saint Germany como um dos ‘‘ralos’’ por onde passava o dinheiro da Sudam.
A principal artilharia contra Jader Barbalho depende do Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira, será escolhido o ministro que vai relatar o pedido de quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do senador, feito pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. O relator escolhido, se assim desejar, poderá opinar já no dia seguinte.
Jader Barbalho também foi abandonado pelos peemedebistas que ajudou a indicar para o Conselho de Ética. De acordo com um senador, ele se opôs à designação do senador Cacildo Maldaner (PMDB-SC), por julgá-lo ‘‘fraco e sujeito à pressão da opinião pública’’. Mas o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), decidiu mantê-lo e Maldaner já avisou a amigos que vai se ‘‘queimar’’ para tentar salvar Jader. Outro apoio esperado, o do senador Gilberto Mestrinho, também não correspondeu.

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