Embora tenha adiado a votação do relatório que pede a abertura de processo contra o presidente licenciado do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), para a próxima semana, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou ontem um veto político ao retorno de Jader à presidência do Senado, cuja licença termina na segunda-feira.

Por iniciativa da senadora Heloísa Helena (PT-AL), que negociou o apoio com o PFL e com o PSDB, além dos oposicionistas, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou uma indicação uma figura regimental pedindo à Mesa Diretora que adote as providências necessárias para manter Jader afastado do cargo de presidente do Senado, enquanto estiver sob investigação.

Liderados pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que comandou a tropa de choque de Jader, durante as cinco horas de reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, os cinco integrantes peemedebistas no colegiado tentaram derrubar a proposta. ''Essa decisão é um pré-julgamento do conselho, que ainda está investigando o senador'', disse Calheiros.

A indicação será lida hoje, em sessão matutina do Senado e encaminhada, imediatamente, à apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso seja aprovada essa espécie de sanção política a Jader, a Mesa deverá se reunir, até mesmo com a presença dos líderes partidários, para tomar as providências e assumir uma posição institucional em relação ao presidente licenciado.

Uma das medidas em discussão pelos líderes seria a aprovação imediata de um projeto de resolução que proíbe senadores sob investigação integrarem cargos na Mesa, nas comissões permanentes e lideranças partidárias, considerados estrategicamente importantes na Casa.

A leitura do relatório foi tumultuada. O senador Geraldo Althoff (PFL-SC), presidente do Conselho de Ética, precisou interromper a sessão quando o senador João Alberto (PMDB-MA) gritou: ''Eu assisti aqui à apresentação de um relatório de linchamento do senador Jader Barbalho!'' Romeu Tuma (PFL-SP) reagiu: ''Isso é uma falta de respeito!''

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