Brasília - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou ontem o relatório que pede a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), acusado de quebra de decoro parlamentar. Após quase 80 dias de investigação, o conselho aprovou por 14 votos a zero o parecer do relator, Jairo Carneiro (PFL-BA). Quatorze deputados, de 7 partidos (PT, PMDB, PFL, PSDB, PP, PL e PSB) acolheram o parecer do relator. Ninguém foi contra. O único a defender Jefferson foi Nelson Marquezelli (PTB-SP), que é suplente e não teve direito a voto. No entanto, o plenário da Câmara é quem vai decidir, em votação secreta, se Jefferson perderá o mandato e os direitos políticos até 2015. Para ser cassado, são necessários no mínimo 257 votos dos 513 deputados. A votação deverá ocorrer após a semana do feriado do Dia da Independência, em 7 de setembro.
Pivô da crise que o governo Luiz Inácio Lula da Silva atravessa, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), 51, acusado de envolvimento em um suposto esquema de corrupção nos Correios, denunciou, em entrevista publicada pela ''Folha de S.Paulo'', que congressistas aliados recebiam o que chamou de um ''mensalão'' de R$ 30 mil.
Após a votação de ontem no Conselho, o resultado será encaminhado à presidência da Câmara, que colocará a matéria em votação no plenário nos próximos dias. A votação, no entanto, não tem data. ''O deputado Roberto Jefferson está confiante. Ele conta com a simpatia da Casa. Nosso trabalho é em cima do plenário. Há um consenso que o Roberto prestou um serviço para o país'', afirmou líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE)
O prazo final para o processo contra Jefferson para votação no plenário é dia 6 de setembro. No entanto, o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), pretende enviar hoje o resultado à Mesa Diretora. Após duas sessões ordinárias na Câmara, caso o pedido não tenha sido votado ainda no plenário, ele passa a obstruir a pauta da Casa. A votação no plenário é secreta. É nesse fator que o PTB aposta para salvar o mandato de Jefferson.
Sobre a festa realizada anteontem à noite com a bancada do PTB, que contou com a presença do ex-presidente do PTB, Monteiro explicou que foi ''apenas uma confraternização''. ''Muitos deputados não viam o Roberto há 90 dias.''
O relator abriu a sessão lendo um documento no qual esclareceu as razões pelas quais pediu a cassação de Jefferson e não acatou os argumentos da defesa do deputado. Em seu pronunciamento, ele avaliou que a defesa de Jefferson foi ''inepta e impertinente''. Carneiro disse ainda não considerar que as provas apresentadas pela defesa foram suficientes para ''comprovar o mensalão'' ou derrubar qualquer uma das teses da acusação.
Os advogados de Jefferson, Itapuã Messias e Francisco Barbosa, afirmaram que o relator, ao fazer as explicações, fez um aditamento ao seu voto, o que feriu os ritos processuais. ''Há cerceamento da defesa'', disse Messias. ''O relator fez uma patrulha das palavras adotadas pela defesa'', reiterou Barbosa. Após a discussão, Ricardo Izar rejeitou os argumentos da defesa de Jefferson de que seu espaço estava sendo cerceado e deu prosseguimento às discussões do parecer, o que levou seus advogados a se retirarem do plenário.
Mesmo com a saída dos advogados, o Conselho seguiu com a sessão porque toda a apresentação do processo já havia sido feita. Para a fase final de votação dos membros do Conselho, segundo a regra da Casa, não é necessária a presença da defesa de Jefferson. Como medida de precaução, o Conselho ainda indicou o deputado José Militão (PTB-MG) como advogado dativo de Jefferson. Os advogados de Jefferson afirmaram que vão recorrer em todas as instâncias para anular o processo no Conselho. (Com Agência Brasil)

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