Conselho aprova processo contra Jader
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Andréa Michael<br> e Raquel Ulhôa<br> Agência Folha<br> De Brasília 
O Conselho de Ética do Senado aprovou ontem, por 11 votos a 4, a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). A seu favor, o paraense teve apenas os votos dos peemedebistas. A decisão equivale ao início da contagem regressiva para que o senador renuncie ao mandato.
Diante do conselho, Jader falou durante uma hora e 20 minutos, sem novidades. Disse que não era ''mentiroso'', reapresentou documentos já conhecidos, atacou senadores e definiu o processo ao qual será submetido como resultado de uma vingança política por ter enfrentado o ex-senador Antonio Carlos Magalhães.
Jader usou os termos ''montagem'', ''teatro'' e ''farsa'' para se referir ao relatório da comissão constituída especialmente para investigá-lo e que, ao concluir pelo seu suposto envolvimento nos desvios do Banpará, propôs a abertura de processo. Tratou o caso Banpará como um episódio passado, de 17 anos atrás, que reapareceu em três momentos. Em 1990, em sua campanha para o governo do Pará; em 1996, quando pediu a abertura da CPI dos Bancos no Senado; e, por último, agora, em seu ''entrevero'' com ACM.
O peemedebista falou de Deus, do Diabo e, por três vezes, referiu-se à escritora inglesa Virgínia Wolf, que ficou famosa por desvendar as hipocrisias da sociedade vitoriana. Depois de perguntar, em duas ocasiões, ''quem tem medo de Virgínia Wolf?'', respondeu: ''São aqueles que não querem esperar a perícia, os caluniadores, os detratores, os fariseus deste momento que querem praticar a violência antecipada''.
Desde que ganhou na Justiça, em 18 de setembro, o direito a realizar uma perícia na documentação referente aos desvios do Banpará, Jader insiste em que o processo no Senado seja suspenso até o trabalho acabar. A previsão é finalizá-lo em um mês e meio.
Depois da fala de Jader, a sessão foi interrompida. No recomeço, às 12h20, mesmo sem a presença do paraense - que não voltou mais ao conselho - Nabor Junior (PMDB-AC) apresentou seu voto alternativo ao relatório assinado por Romeu Tuma (PFL-SP) e Jefferson Péres (PDT-AM). Ele defendia a suspensão do processo no conselho até a conclusão da perícia judicial, mas foi derrotado. Contou apenas com o voto dos quatro peemedebistas.
O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), leu uma nota que caracterizava como insuficiente e frágil o relatório de Tuma e Péres para sustentar a abertura do processo. E alertou para ''o grave precedente dessa votação'', que estaria ferindo direitos constitucionais. Tudo em vão.
Se renunciar ao mandato, Jader terá mais um problema a contornar: o primeiro suplente, o pai, Laércio Barbalho, já declarou que não quer assumir. O segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, ex-secretário de Jader, é acusado de ser um dos principais envolvidos nos desvios do Banpará. Na ausência dos dois, deve haver nova eleição, convocada pelo Tribunal Superior Eleitoral.


