Curitiba - O conselheiro do Tribunal de Contas (TC), Rafael Iatauro, não vai mais assinar pareceres de consultas feitas pelas administrações públicas estadual e municipais que sejam consideradas polêmicas. A decisão foi tomada depois do pedido de prisão feito pelo MP contra a assessora da 6 Inspetoria, Desirée do Rocio Vidal, por ter dado pareceres técnicos que deram brechas para o suposto desvio de recursos da Copel para empresas e autoridades ligadas à Adifea e Olvepar.
Em entrevista à Rádio Paraná Educativa ontem, Iatauro disse que todos os funcionários do TC estão preocupados e temerosos com a assinatura de resoluções e pareceres. ''Está todo mundo assustado'', disse ele. O conselheiro trabalha com 18 assessores e um inspetor. Todos estão liberados de dar pareceres considerados polêmicos. ''Eu mesmo não vou mais dar parecer em assunto polêmico. Simplesmente, não assino. E resolvi liberar todo mundo. Os meus 18 assessores só assinam os pareceres que considerarem técnicos e sem possibilidades de divergência. Se um parecer deu toda essa polêmica mesmo passando em plenário, imagine se fosse um parecer pessoal, expressando o livre pensamento individual?'', questionou.
Iatauro classificou os pedidos de prisão e a menção de autoridades do TC em investigações como uma ''caça às bruxas''. ''O parecer dado pela funcionária era legal. Passou pela presidência (na época, Iatauro era o presidente do TC), foi para a inspetoria, foi vistado pelo conselheiro, teve o aval da diretoria jurídica e foi aprovado por unanimidade em plenário. Não foi um parecer individual, de responsabilidade de uma só pessoa'', insistiu.
Semanalmente, são realizadas duas sessões no TC, às terças e quintas-feiras. Em cada sessão são analisados 200 processos. Somente no ano passado, 9.034 pareceres passaram pelo plenário da Casa. (L.P.)

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