O conselheiro do Tribunal de Contas Quiélse Crisóstomo da Silva confirmou ter recebido no ano passado o título de cidadão honorário de Maringá. Quiélse disse que não se sentiu constrangido em receber a homenagem, sendo um dos responsáveis pela fiscalização das contas do município. O TC recomendou a aprovação das finanças de Maringá nos anos de 1997 e 98.
‘‘A maior prova da minha isenção foi que logo depois de receber o título de cidadão honorário mandei fazer a auditoria que descobriu tudo isso que você sabe’’, afirmou Quiélse. ‘‘A minha atividade como juiz não se mistura com estas homenagens. Isso não quer dizer nada. Enquanto o Ministério Público detectou um rombo de R$ 2,6 milhões, a minha equipe confirmou o desvio de R$ 54 milhões’’. O conselheiro disse ser ‘‘muito comum’’ em sua vida pública o recebimento de títulos de cidadão honorário.
‘‘Desde a minha época como deputado estadual já foram mais de 10 homenagens’’, relembrou Quiélse. O conselheiro disse que só foi possível começar a identificar as irregularidades em Maringá quando o ex-secretário Luis Antônio Paolicchi pagou à vista uma autuação da Receita Federal por sonegação de impostos. ‘‘Era uma quantia grande, o que deixou todos desconfiados.’’
Quiélse, que foi presidente do TC nos anos de 1999 e 2000, alegou que não sabia que Paolicchi se passava abertamente por funcionário concursado do tribunal. ‘‘Tem tantos cabras por esse mundo de Deus que se fazem passar até por parentes do presidente Fernando Henrique Cardoso para conseguir emprego. Nós não sabíamos que esse rapaz fazia isso. Ficamos cientes através da imprensa.’’ O conselheiro afirmou que não conhece Paolicchi pessoalmente. (D.V.)

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