Curitiba - O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Quiélse Crisóstomo, quer livrar o ex-secretário de Meio Ambiente Hitoshi Nakamura das denúncias de prejuízo aos cofres públicos na construção de obras em Foz do Iguaçu. Crisóstomo elaborou um relatório inocentando o ex-secretário, acusado de má-gestão de dinheiro público na construção do Canal da Barragem. O conselheiro, entretanto, não conseguiu aprovar seu relatório em plenário.
O conselheiro Nestor Baptista barrou o andamento do processo ao pedir vistas ao processo. Baptista foi o autor da denúncia relativa às obras do Canal da Barragem, com base em informações da 2 Inspetoria de Controle Externo do TCE, que colocou Nakamura na mira dos conselheiros.
O relatório, inocentando Nakamura, foi feito com base no recurso apresentado pelo ex-secretário. O TCE já havia desaprovado a prestação de contas das obras, que foram projetadas para a realização dos Jogos Mundiais da Natureza, em 1997. Quando essas contas foram desaprovadas, Crisóstomo era presidente do tribunal. O conselheiro disse, porém, que visitou pessoalmente as obras, em Foz do Iguaçu.
''Pensei que a construção nem sequer existia, mas existe, e as obras são grandes'', afirmou, explicando que isso justifica os gastos com a construção. As obras foram contratadas pela Secretaria do Meio Ambiente, na gestão de Nakamura e, de acordo com o TCE, teriam causado prejuízos de cerca de R$ 30 milhões aos cofres estaduais.
O caso deve ficar nas mãos de Baptista por cerca de duas semanas. O processo ainda não foi finalizado porque o ex-secretário entrou com o recurso contra a decisão, já avaliado por Crisóstomo. Nakamura havia sido condenado a devolver R$ 20 milhões aos cofres públicos. Segundo o TCE, não havia explicação para o pagamento integral da obra, sem que tenha sido concluída.
De acordo com o tribunal, a empreiteira Itajuí, vencedora da licitação, chegou a receber R$ 11,1 milhões da Secretaria do Meio Ambiente antes de suspender os trabalhos. A direção da Itajuí informou, na época do julgamento, em 2000, que a empresa executou a obra até o dia em que o contrato terminou.
Ainda segundo o TCE, a secretaria pagou posteriormente R$ 1 milhão ao 1º Batalhão Ferroviário, que integra o Comando Militar do Sul, para que as obras fossem concluídas, o que não aconteceu. O TCE informou também que outra obra, o Portal de Foz, foi pago integralmente sem ser concluída. A prestação de contas relativa ao Portal foi impugnada pela 2Inspetoria de Controle Externo, e o processo está na Procuradoria do Estado junto ao TCE.
O ex-secretário foi procurado pela reportagem para dar sua versão sobre o processo, mas estava em viagem ao Japão e só retorna na semana que vem. Hoje, Nakamura é coordenador de Projetos Especiais na Universidade Livre do Meio Ambiente uma Organização Não Governamental (ONG) que presta serviços, entre outros, para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo a assessoria de imprensa do TCE, Nestor Baptista só vai se pronunciar sobre o caso depois de ler o relatório, o que deve ocorrer hoje.
Conforme a Folha apurou, extra-oficialmente, a tendência é que o relatório de Crisóstomo seja aprovado posteriormente, inocentando Nakamura. Votam cinco conselheiros, e o resultado da votação pode ser quatro a um, ou três a dois.

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