Conselheiro do Carf fica calado na CPI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Beatriz Bulla<br> Agência Estado 
Brasília - Considerado um personagem "essencial" na deflagração da Operação Zelotes, o conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Paulo Cortez permaneceu calado durante sessão da CPI que investiga o esquema de venda de sentenças no órgão. Cortez conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer em silêncio ao ser interrogado.
A relatora da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) chegou a sugerir que Cortez fosse ouvido em sessão secreta, para que aceitasse falar com os parlamentares. Cortez negou a solicitação e permaneceu em silêncio, respaldado pela decisão judicial. Ele é apontado em relatórios Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal, como figura importante na investigação e é investigado por supostamente integrar o esquema de corrupção no colegiado, usando empresas nas quais trabalhou. Escutas da PF do ano passado apontam que Cortez teria afirmado que só "coitadinhos" têm de pagar impostos e afirmou que o tribunal da Receita se tornou um "balcão de negócios.
O sócio do conselheiro em um escritório de contabilidade, Nelson Mallmann, também foi ouvido ontem pelos integrantes da CPI. É com Mallmann - ex-conselheiro do Carf, onde atuou por 19 anos - que Cortez estava na linha do telefone relatando a situação do órgão. Diferentemente de Cortez, ele concordou em falar com os parlamentares e afirmou que em 2013 foi realizada uma denúncia interna à Receita Federal, com um relatório elaborado pelos dois.
A CPI do Carf também ouviu o advogado Leonardo Manzan, que disse ter sido incluído na investigação por engano. A Polícia Federal apreendeu quantia superior a R$ 800 mil no apartamento do advogado, que também é ex-conselheiro. Ele é genro do ex-presidente do Conselho Otacílio Dantas Cartaxo, que foi secretário da Receita Federal. Aos parlamentares, Manzan afirmou que o dinheiro apreendido é fruto de honorários recebido e foi "declarado, com imposto pago".


