Conselheiro defende intervenção no Porto
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na opinião do economista Luiz Antonio Fayet, integrante do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), a situação do Porto de Paranaguá seria motivo para uma intervenção federal. Em depoimento à CPI do Porto, na manhã de ontem na Assembléia Legislativa, Fayet disse que é partidário de uma solução que mantenha o porto uma concessão federal nas mãos do Paraná, mas que o quadro atual administrativo exigiria uma intervenção por até seis meses.
A justificativa para a intervenção, segundo Fayet, é o cerceamento à informação no porto, pois o CAP não tem recebido relatórios da superintendência, como deveria. O porto está nas mãos de Eduardo Requião, o irmão do governador Roberto Requião (PMDB). Fayet explicou que o problema não é corrupção, e sim falhas operacionais e técnicas. Fayet citou números do setor produtivo, que calcula um prejuízo de meio bilhão de dólares nesta safra por causa dos problemas operacionais, como a demora para embarque de grãos. ''Um navio graneleiro que fique 25 dias esperando para carregar paga multa de um milhão de dólares'', declarou Fayet.
Para o presidente da CPI, Valdir Rossoni (PSDB), que é da oposição, o depoimento de Fayet foi ''forte e preocupante''. ''A superintendência não presta informações ao Conselho de Autoridade Portuária há mais de um ano.'' Já o relator da CPI, Alexandre Khury (PMDB), que é da base governista, frisou que os problemas no porto são administrativos, segundo relatou Fayet.
Os deputados da CPI do Porto descem hoje para o Porto de Paranaguá, a cerca de uma hora de viagem da Capital. Eles pretendem fazer uma vistoria nas dependências do porto, a partir das 9 horas. ''Queremos conferir in loco os problemas'', disse Rossoni. Eduardo Requião receberá os integrantes da CPI, informou a assessoria de imprensa do porto. A Folha não conseguiu contato ontem com Eduardo. Segundo sua assessoria, ele estava fora.
Para amanhã estavam previstos na CPI os depoimentos de Mauro Mader, diretor do Terminal de Contêineres, e Sérgio Mendes, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Eles foram convidados, e não intimados, e como já tinham outros compromissos, o depoimento deles foi substituído por outros. Serão chamados o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, e o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguetti.


