Conselheira admite assinar falso documento
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terça-feira, 02 de agosto de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A conselheira municipal de Saúde, Rosalina Batista, admitiu ontem perante a juíza da 3 Vara Crininal, Oneide Negrão, que assinou um documento atestando que visitou as sedes dos Institutos Gálatas e Atlântico em 8 de dezembro de 2010, mas, de fato, não fez essas visitas. A declaração foi dada na condição de testemunha de acusação no processo que apura fraudes por meio de contrato celebrado entre a Prefeitura de Londrina e o Instituto Gálatas, exatamente na mesma data em que teria ocorrido a visita.
A declaração de visita que Rosalina assinou também tem a assinatura da conselheira Neusa Maria dos Santos e do ex-conselheiro Marcos Ratto, preso na operação Antissepsia, do Ministério Público, porque teria recebido propina do Instituto Gálatas. ''Eu assinei, mas não visitei as entidades. Não visitei porque este não é o papel do conselho'', disse à FOLHA Rosalina Batista. Questionada sobre a razão de ter assinado um documento cujo conteúdo não correspondia com a verdade, a conselheira disse que ''só depois que me dei conta.'' Ela alegou não se recordar quem lhe pediu para assinar o documento. ''Preciso ver isso na ata.''
A reportagem também conversou com Neusa dos Santos, que primeiramente afirmou que havia feito a visita com Rosalina e Marcos Ratto aos dois institutos. Posteriormente, ao ser informada que Rosalina afirmou que não foi aos institutos, Neusa voltou atrás e disse que fez a visita somente com Ratto e que foi apenas ao Gálatas. ''Foi uma visita rápida'', afirmou Neusa, dizendo não se recordar se a visita ocorreu antes ou depois da assinatura do contrato.
Os três conselheiros fariam parte da Comissão de Acompanhamento do Plano Emergencial para contratação dos serviços que seriam executados pelo Atlântico e Gálatas. Outros três conselheiros eram membros, mas não assinaram o documento, que ''aprova o nome das institutições Atlântico e Gálatas''.
O promotor Cláudio Esteves, que acompanhou a audiência, explicou que este fato somente passou a constar do processo há duas semanas, quando a defesa da secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, juntou ao processo uma série de documentos, incluindo a declaração assinada pelos conselheiros. ''Me chamou a atenção o fato de que existe um documento assinado por uma conselheira que admitiu que não fez a visita. Temos que apurar melhor essa situação e verificar se este fato realmente existiu'', disse Cláudio Esteves.
Até agora nem o Executivo nem os conselheiros assumiram a responsabilidade pela contratação dos institutos, que, segundo o Ministério Público, se revelaram com núcleos de duas quadrilhas para desviar dinheiro público. A suspeita é de que tenha havido pagamento de propina para facilitação da contratação.
Rosalina foi ouvida ontem no processo desmembrado em que são réus Bruno Valverde, Gustavo Politi e Alexandro Ascenção. Além dela, foi ouvida a contadora Nafisse Juliana Ariss Jovial. Ao todo, são 15 réus no processo criminal do Gálatas.


