Conheça o teor das denúncias gravadas
Arquivo Folha
Ronivon Santiago: rasgou o cheque e pegou em dinheiro
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Zila Bezerra: reunião decidiu como seria feito o pagamento
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Pauderney Avelino: responsável pela primeira abordagem
Amazonino Mendes: definiu o valor que seria pago a Ronivon
As gravações das conversas telefônicas obtidas pela Folha de São Paulo sobre a venda dos votos dos cinco deputados a favor da emenda da reeleição, negociadas através dos governadores do Acre, Orleir Cameli (sem partido) e do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), revelam como o deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) negociou seu voto. Para preservar sua identidade, o intercolutor das conversas é mantido sob sigilo e identificado como Senhor X. A seguir, os principais trechos das conversas:
Senhor X - Ele (Orleir Cameli) não pagou nada daqueles do Orçamento de 94, de 95?
Ronivon Santiago - Não. Ele me deu R$ 100 mil...R$ 100 mil agora para a votação (referindo-se à emenda da reeleição). Deu em cheque e em dinheiro. Me deu um cheque. Aí, depois, me deu dinheiro. Eu devolvi o cheque. Me deu R$ 100 mil, em dinheiro.
Senhor X - Orleir chegou a dizer a algumas pessoas lá no Acre que os votos tinham sido pagos...
Ronivon - 200 paus.
Senhor X -200 paus para cada um?
Ronivon - É.
Senhor X - E você, tirou 200?
Ronivon - Só um. Mas eu tenho... vou receber. Está negociado... Mas eu tinha um assunto meu. Que ele ia me pagar isso aqui. Aí ficou para a CM. Aí, eu, né...? Ficou pra CM, porque a empresa que está lá, pra faturar essa nota, que é para poder me pagar tudo. Aí, ficou dentro os meus outros 100. Tô pra receber, ele vai me pagar...
A CM que ele se refere é uma empreiteira que teria executado uma obra para o governo do Acre e lhe repassaria R$ 100 mil quando recebesse o pagamento do governador Orleir Cameli. O deputado também explica que a primeira tentativa do governador foi fazer o pagamento em cheque. Depois, houve a troca por dinheiro. O dinheiro só foi entregue na medida em que os deputados se apresentavam e rasgavam o cheque recebido anteriormente:
Senhor X -E aquele cheque? Foi pago?
Ronivon - Foi. Só que veio em dinheiro.
Senhor X - Mas naquela altura vocês já estavam com o cheque ... E o cheque era de quem?
Ronivon - Do Eládio (Cameli, irmão de Orleir). Da firma do Eládio lá no Banco do Amazonas.
Senhor X - O cheque não foi descontado, não?
Ronivon - Não. Rasgou.
Senhor X - Você rasgou?
Ronivon - Rasguei. Não só o meu, como o do Osmir, da Zila, de todo mundo.
Senhor X - Mas esse cheque não foi dado na véspera da votação?
Ronivon - Mas no outro dia ele deu em dinheiro.
Senhor X - Deu em dinheiro?
Ronivon - De manhã, antes da votação aqui à tarde.
O deputado também explicou que houve confusão na negociação dos votos envolvendo os dois governadores.
Senhor X - Esse foi um assunto (reeleição) que foi tratado direto com o Orleir?
Ronivon - O caso é o seguinte. Deixa eu te contar. Houve um rolo do c.... O Amazonino tinha uma jogada aí, pro lado do governo. Finalmente, apareceu o Amazonino. Você está me entendendo? Amazonino, você sabe que é assim, né? Eu, muito vivo, eu fui na hora da reunião - estava o Osmir, estava a Zila, estava todo mundo - eu disse, olha: Amazonino, eu não sabia que era com você a reunião, pra mim era com o pessoal do governo. Mas, já que é você que vai acertar, eu não tenho acerto nenhum com você. Eu tenho com o Orleir Cameli, porque sou fiel a ele até o final. E aqui, o resto da conversa com o Orleir eu fiquei de fora. E fui embora. Ficou Zila lá... Ele chegou... Aí foi um rolo doido: Zila, Osmir...e eu lá fora.
Senhor X - Se vocês não tivessem trocado o cheque por dinheiro, estariam sem receber até hoje?
Ronivon - Estava. Ah, estava.
Ronivon Santiago explicou na conversa porque - a princípio - recebeu R$ 100 mil, enquanto os outros deputados receberam R$ 200 mil. Nessa explicação Santiago acabou envolvendo o nome de outro deputado, Chicão Brígido (PMDB-AC).
Ronivon O problema é o seguinte: o Amazonino marcou dinheiro para dar 200 para mim, 200 pro João Maria, 200 pra Zila e 200 pro Osmir. Você está me entendendo? Então ele foi e passou para o Almir, tsk, pro Orleir. Só que ele foi ... Mas no dia anterior ele parece que precisou dar 100, parece que foi pro Chicão, e só deu 100 pra mim.
Senhor X - Ah, Chicão também pegou?
Ronivon- Peeegouuu! Eu não sei de nada. Pelo amor de Deus. Não sei se foi 200.
O deputado diz ter usado o dinheiro que recebeu para votar a favor da reeleição para quitar suas dívidas bancárias no valor de R$ 196 mil.
Senhor X - Mas, você pagou? Pagou o Banco do Brasil?
Ronivon - Numa porrada só.
Senhor X - Logo? Na mesma hora?
Ronivon - Não... Na semana passada... Na semana passada (risos). Sou leso? Não, isso foi tudo na semana passada... Deixei assentar a poeira. Fui lá e negociei. Paguei 196 paus.
Senhor X - 196?
Ronivon - Pau! Os meus cheques sem-fundos tudinho. Eu tive que arrecadar esses cheques tudinho. Paguei, só de cheques aí deu 46 mil de cheques. Em Rio Branco tinha seis.
Senhor X - A reeleição lhe salvou, né?
Ronivon - Ôô!
Senhor X - A reeleição.
Ronivon - Eu me protejo, rapaz ...





