Conheça o perfil dos deputados envolvidos
JOSÉ BORBA (PFL-PR)
O deputado José Borba (PTB-PR), 48, foi flagrado votando em nome do deputado Valdomiro Meger (PFL-PR), 53. Assumiu a culpa pela fraude, inocentando Meger. A Mesa da Câmara abriu processo de cassação do mandato de deputado por falta de decoro parlamentar. Os dois envolvidos na fraude na votação de quarta-feira são deputados de primeiro mandato. Borba e Meger também têm em comum a profissão: são pecuaristas. Na quarta-feira passada, Borba assumiu a presidência da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior. O deputado é também o coordenador da bancada do Paraná na Câmara. O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deverá substituir Borba na comissão. Borba é afilhado político do senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR).
VALDOMIRO MEGER (PFL-PR) O deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) participava de um seminário sobre álcool em Maringá (PR), enquanto o deputado José Borba (PTB-PR) votava em seu nome na sessão de quarta-feira à noite. Por telefone, ele disse à Folha de S.Paulo que havia participado de duas votações, antes de viajar para Maringá, por volta de 20h15. No dia seguinte, em nota oficial, Borba disse que Meger ficou no plenário até 15h30. A primeira votação começou às 17h34. Ao ser informado que seu nome estava no painel, Meger acusou o deputado Odílio Balbinotti (PSDB-PR) de ter votado em seu lugar. Só pode ter sido o Odílio. Ele é meu inimigo de morte, disse. Antes de deixar a Câmara na quarta-feira passada, Meger acompanhou o depoimento do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Para Meger, não há motivos para cassar o mandato de Naya. Eleito pelo PP (hoje PPB), Meger já pertenceu ao PDT. A escolaridade do parlamentar se limita ao primeiro grau.
ODILIO BALBINOTTI (PSDB-PR)
O deputado Odílio Balbinotti (PSDB-PR) foi apontado por seus próprios colegas como autor da denúncia de que alguém estava votando pelo deputado Valdomiro Meger na sessão de quarta-feira. Balbinotti não confirma a denúncia, mas também não a nega. A obrigação de cada parlamentar é fiscalizar a votação, disse o deputado ao ser questionado sobre a autoria da denúncia.
Deputado de primeiro mandato, Balbinotti é adversário político do deputado Ricardo Barros (PPB-PR), com quem disputa votos no município de Maringá. Ao denunciar a fraude na votação, Balbinotti queria atingir Barros e Meger. A suspeita era que Barros seria o pianista, não José Borba (PTB-PR).
Antes de disputar uma vaga de deputado federal, Balbinotti foi vereador e prefeito (duas vezes) de Barbosa Ferraz. O deputado foi eleito pelo PDT e passou para o PSDB.
RICARDO BARROS (PPB-PR)
O deputado Ricardo Barros (PPB-PR), 38, foi o primeiro suspeito de ter votado por Valdomiro Meger (PFL-PR) na sessão de quarta-feira. Barros foi identificado por deputados que sabiam da denúncia como amigo de Meger.
Além disso, ele é inimigo de Odílio Balbinoti (PSDB-PR), apontado como o autor da denúncia de pianismo à Mesa da Câmara. O próprio deputado achou que era o alvo. Foi o Balbinotti quem denunciou, porque queria me incriminar, disse. Empresário da área de comunicações e construção civil, Barros é um dos líderes da bancada dos esportes no Congresso. Em dezembro do ano passado, quando a Lei Pelé foi aprovada na Câmara, Barros patrocinou uma recepção em sua casa para parlamentares da bancada dos esportes, com a participação do ministro Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Barros foi prefeito de Maringá (1989-93). Nas eleições passadas tentou fazer seu irmão Sílvio Barros Filho prefeito do município. Os Barros foram derrotados pelo candidato tucano Jairo Gianotto, apoiado por Balbinotti. O deputado foi eleito pelo PFL, mas hoje está no PPB.





