O Congresso retoma suas atividades na próxima semana com melhores condições políticas para concluir a votação de projetos importantes e voltar à normalidade. Com a saída de Jader Barbalho da presidência do Senado, os líderes partidários esperam ter eliminado o principal ponto de divergência e crêem na possibilidade de a Casa recuperar seu eixo.
No entanto, pelo menos nos primeiros 15 dias do mês será necessário administrar os vestígios da decisão de Jader, para evitar que a disputa política em torno de sua eventual sucessão no comando do Senado paralise novamente os trabalhos do Legislativo.
Jader fará sua defesa sem o escudo do cargo e seus aliados acham que, com isso, a imagem pública do Senado poderá ser recuperada. Apostam também no bom senso para tirar o Congresso do foco das investigações, deixando tudo nas mãos do Ministério Público (MP).
Em todo o processo de negociação que culminou com a licença de Jader, a preocupação central dos líderes era com o agravamento da crise política, já que a situação do senador ficara insustentável. ‘‘A cada esquina estamos entrando numa crise externa que atrapalha a economia’’, alertou o líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES).
Por isso, é praticamente unânime entre os parlamentares, tanto da base aliada quanto da oposição, de que é urgente estabelecer uma agenda para o segundo semestre antes mesmo do reinício das atividades, em 1º de agosto. Ninguém deseja mais desgastes políticos, sobretudo pela proximidade da campanha eleitoral.
Será fundamental, portanto, a reunião do colégio de líderes que o presidente interino do Senado, Edison Lobão, marcou para quarta-feira para discutir a situação de Jader e um roteiro de votações que não podem ser adiadas por conta do calendário das eleições.
Apesar da estratégia de tirar o caso Jader do âmbito do Senado, os integrantes do PMDB temem uma disputa precoce para sua eventual sucessão na presidência do Senado, caso ele não retorne ao cargo. Acirrar a briga agora dificultaria ainda mais a unidade do partido para a escolha da nova executiva nacional na convenção marcada para 9 de setembro.
Ainda em agosto, os parlamentares aguardam que o presidente Fernando Henrique Cardoso defina o nome do líder do governo no Senado. Desde o afastamento do ex-senador José Roberto Arruda, o posto está sendo ocupado interinamente pelo senador tucano Romero Jucá (RR).

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