BRASíLIA - Quinta-feira de boatos no Congresso Nacional. O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), amanheceu ontem tendo de explicar ao líder do PMDB na Câmara, Michel Temer (SP), e ao senador Iris Rezende (PMDB-GO), que não fôra ao Palácio da Alvorada na terça-feira entregar as cabeças dos dois ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
O deputado Odacir Klein (PMDB-RS) passou parte do dia atrás de Michel Temer, para dizer que, ao contrário do que se falava, não estava participando de nenhum movimento para substituir o líder na disputa pela presidência da Câmara. Falou-se que o PT tinha fechado o voto no candidato do ‘‘baixo clero’’ à presidência da Câmara, Wilson Campos (PSDB-PE). Antes que este comemorasse os 51 votos petistas, chegou a informação de que o contemplado era Prisco Viana (PPB-BA), outro candidato dissidente. Confirmou-se depois que o PT não fechara com nenhum dos dois.
Logo depois de falar com Iris Rezende e Michel Temer, o líder Jáder Barbalho viajou para Belém. ‘‘Pode preparar-se, porque vai começar a fase da baixaria’’, disse Jáder a um assessor que o acompanhara ao aeroporto. ‘‘Estou muito cansado, vou embora’’, completou Jáder. Já com a informação de que Iris Rezende fora rifado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) encontrou o candidato do PMDB à presidência do Senado conversando em tom baixo com o senador Mauro Miranda (PMDB-GO).
Simon pôs a mão no ombro de Iris e disse: ‘‘Se vai ter outro candidato, é você que vai indicar.’’ Iris riu e disse a Pedro Simon que tudo não passava de boatos. ‘‘Minha candidatura está tranquila, sem problema’’, avisou ele. ‘‘Já conversei com o Jáder e não há problema algum.’’
Em seguida chegava aos defensores da candidatura de Iris Rezende a informação de que a senadora Emília Fernandes (PTB-RS) acabara de fechar com Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), também candidato à presidência do Senado. Houve nova correria. Confirmou-se apenas que Antônio Carlos tinha ido ao gabinete de Emília pedir votos no corpo-a-corpo que está fazendo. A senadora garantiu que continuava firme no grupo de Iris Rezende.
Os boatos atingiram principalmente o PMDB. Depois da troca de informações entre deputados e senadores, os parlamentares começaram a fazer exercícios de imaginação na tentativa de identificar de onde saíam as intrigas. Chegaram à conclusão de que, pelas características e pelo estilo, a fonte era o Palácio do Planalto e o principal suspeito era o chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Clóvis Carvalho.

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