Agência Estado
De Brasília
Representantes da bancada ruralista e de setores empresariais no Congresso prometem se mobilizar para derrubar a proposta de Antonio Carlos Magalhães, de criar um fundo de combate à pobreza. A idéia é vista com reserva por parlamentares com formação em economia e a oposição pode se dividir.
‘‘No Senado, esta proposta pode até passar, mas na Câmara tem poucas chances, porque a influência de ACM não é a mesma’’, disse o deputado Augusto Nardes (PPB-RS), coordenador da Frente Parlamentar de Agricultura e do grupo de pressão de pequenos e médios empresários dentro do Congresso. Segundo Nardes, a taxação de 0,5% sobre o imposto de renda de pessoa jurídica com faturamento mensal acima de R$ 150 mil ‘‘com certeza irá acarretar em aumento de custo de produção, com diminuição do nível de emprego e aumento de informalidade’’.
Vice-presidente do Ciesp, o deputado Émerson Kapaz (PSDB-SP) também criticou a proposta. ‘‘ACM está propondo tirar R$ 8 bilhões de todo mundo, como se recursos estivessem sobrando no Brasil. Caso esta proposta seja aprovada, haverá repasse de aumentos de custos em cascata e impacto inflacionário’’, afirmou o deputado.
Para o senador Paulo Hartung (PSDB-ES), ex-diretor do BNDES, ‘‘montar um arranjo dentro do atual sistema tributário que represente aumento de carga poderá ser dar um tiro no p钒. Segundo o senador, ‘‘o ideal é que ACM esperasse a proposta que o relator da reforma tributária Mussa Demes (PFL-PI) irá apresentar esta semana, para colocar suas sugestões’’. Ontem, Mussa Demes teve uma reunião com os secretários estaduais de Fazenda para acertar os últimos detalhes de seu parecer. A tendência do parlamentar é acolher o projeto de ACM dentro do seu relatório, fazendo as adaptações sobre as transferências de recursos de tributos que devem desaparecer.
Se o setor patronal da indústria e da agricultura pode se unir contra a proposta, a oposição apresenta sinais de divisão. ‘‘O essencial é a esquerda não deixar passar a oportunidade de aprovar o bom apenas porque não se tem o ótimo’’, disse o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), a favor de que não se combata a proposta.

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