Congresso tem pressa na reforma política
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Agência Estado, de Brasília 
A aprovação da emenda da reeleição desencadeou o debate sobre a reforma política, que vem sendo adiado sistematicamente para não contrariar os interesses dos próprios parlamentares. Uma semana antes de obter a vitória em primeiro turno, o presidente Fernando Henrique Cardoso já havia pedido aos líderes do governo no Senado, Élcio Álvares (PFL-ES), e do PSDB, Sérgio Machado (CE), que dessem mais velocidade ao assunto, que vem sendo tratado em uma comissão especial da casa. Agora que a reeleição deslanchou, a reforma também terá de vir, disse Álvares ontem.
A reeleição deve precipitar as reformas, aposta Machado, também relator da comissão especial. Ele gostaria de ver o assunto resolvido ainda no primeiro semestre. O debate inclui a adoção do voto distrital misto, uma lei de fidelidade partidária, a regulamentação das pesquisas eleitorais e de sua divulgação e o voto facultativo, entre outros temas polêmicos. Encerrada a votação da reeleição, vamos chamar todos os partidos para discutir o futuro e as novas regras, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).
PMDB quer lei
da fidelidade
partidária
com urgência
Além de acionar seus líderes, Fernando Henrique sondou o PMDB sobre a possibilidade de acordo em torno de alguns pontos da proposta. Ele disse ao senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) que a reforma política não se esgota com a reeleição. Disse também, segundo Jáder Barbalho, que apóia a fidelidade partidária e uma lei complementar que estabeleça critérios diferenciados de desincompatibilização, dependendo do cargo ocupado pelo candidato.
A desincompatibilização pode ser o estopim da reforma política, porque há fortes resistências ao texto aprovado ontem na Câmara. A fórmula adotada permite que o presidente, governadores e prefeitos concorram à reeleição no exercício do cargo, mas exigirá que eles renunciem, seis meses antes do pleito, para disputar outros postos. É uma coisa absurda, um retrocesso, disse Jáder Barbalho. Quando isso chegar ao Senado, temos de mudar ou chegar a um entendimento na legislação complementar.
O governo pode ser levado à negociação, porque não deseja alterar o texto da emenda no Senado, pois isso obrigaria a fazer mais duas votações na Câmara. Nem pensamos na hipótese de alterar a emenda, reagiu Élcio Álvares. O líder prefere uma negociação que atenda a alguns interesses imediatos do PMDB, como a lei de fidelidade partidária, por exemplo. O PMDB quer essa lei com urgência, porque teme perder deputados para o PSDB, explica o líder do governo na Câmara, deputado Benito Gama. Resta ver se os deputados do partido, que pretendem mudar, concordam.
Diante das resistências, Inocêncio Oliveira defende a aprovação das mudanças por etapas. Temos de fatiar o salame, compara. Assim, haveria um prazo para a adoção da fidelidade, o voto distrital misto ficaria para as eleições parlamentares de 2002 (como, aliás, prevê o texto do senador Sérgio Machado). O presidente está sensível a isso, garantem seus interlocutores. Como isca, ele propõe até um novo modelo para o segundo turno eleitoral, que não seria mais obrigatória. É algo que interessa a boa parte dos políticos.


