Brasília - Um quarto dos deputados é pré-candidato nas eleições municipais de 5 de outubro. A maioria das 127 candidaturas da Câmara é de parlamentares da base aliada: 89 contra 38 oposicionistas. No Senado, apenas 3 dos 81 senadores lançaram seus nomes para as eleições deste ano. Apesar de um em cada quatro deputados se posicionar como pré-candidato, a expectativa é de que somente metade desses parlamentares entrará na corrida municipal. Na prática, dos 127, somente 60 ou 70 devem realmente disputar as eleições.
Sem chances de vitória, mas com a certeza de que continuarão com o mandato quer de deputado quer de senador, alguns vão participar da disputa apenas para firmar seus nomes para as eleições de 2010. No mundo político é o chamado ''recall'' para as próximas eleições. Mesmo sendo uma prática comum entre os parlamentares, raramente alguém assume publicamente que a candidatura a uma das mais de cinco mil prefeituras brasileiras funciona, na prática, como espécie de campanha antecipada para renovar o mandato de deputado dois anos depois.
Pré-candidato a prefeito de São Paulo, o senador Romeu Tuma (PTB) é um dos poucos a reconhecer que o lançamento de seu nome na corrida municipal ajuda a pavimentar a sua campanha de 2010, quando pretende concorrer novamente ao Senado, caso não seja bem-sucedido este ano. ''A candidatura à prefeitura ajuda a manter a nossa imagem na cabeça dos eleitores'', diz Tuma. E se perder a eleição? ''Não tem problema. Isso vai ajudar a minha candidatura em 2010 ao Senado'', admite, sem constrangimento.
Estreante em eleições municipais, o minúsculo PSOL adotou como estratégia o lançamento das candidaturas de seus três deputados federais. À exceção de Luciana Genro (RS), que pode ter um bom desempenho em Porto Alegre, os deputados Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP) vão disputar as Prefeituras do Rio e de São Paulo, respectivamente, com o intuito de consolidar o nome do partido. Aproveitam para também firmar na cabeça dos eleitores seus nomes para 2010, quando tentarão novamente uma cadeira na Câmara.
A candidatura de parlamentares às prefeituras com o intuito exclusivo de se cacifar para a eleição seguinte é vista como uma faca de dois gumes. ''Quem só se candidata para deixar um recall à próxima eleição corre o risco de ver o tiro sair pela culatra. Pode acabar ficando com a marca de perdedor'', afirma o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), pré-candidato a prefeito de Goiânia. ''Derrota é derrota. Além disso, eleição é muito desgastante'', resume o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), duas vezes derrotado à Presidência da República.

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