BRASÍLIA - A maior preocupação dos líderes políticos no reinício dos trabalhos do Congresso será acomodar várias candidaturas para um único cargo. Até mesmo para a presidência da Casa, normalmente preenchida por acordo entre os partidos, haverá uma disputa acirrada. Depois do cargo de presidente, a vaga mais disputada da Mesa Diretora é a da primeira-secretaria, hoje ocupada pelo senador Odacir Soares (PFL-RO), no Senado, e pelo deputado Wilson Campos (PSDB-PE), na Câmara.
Entre os senadores, a fila de pretendendes é formada por Romero Jucá (RR), Édison Lobão (MA) e Júlio Campos (MT), todos do PFL. Na Câmara, as negociações estão mais atrasadas. O efeito sedutor das duas primeiras-secretarias não é o charme do cargo, mas o poder. Elas não rendem votos, já que suas atribuições administrativas dificilmente têm atrativos eleitoreiros, mas tornam o parlamentar poderoso na Câmara ou Senado e junto aos fornecedores de bens e serviços. É o primeiro-secretário que se encarrega das ‘‘compras’’ e para tanto dispõe de uma verba elevada. Suas contas são submetidas aos demais colegas da Mesa, que normalmente se limitam a endossá-las, sem conferir os gastos ou os preços.
Paralisada durante o recesso de fim de ano, a disputa pela primeira-secretaria na Câmara volta a mobilizar o PFL e o PSDB no início de janeiro. O candidato do PMDB à presidência da Mesa, Michel Temer (SP), torce para que o PSDB aceite ficar com o cargo e o candidato ‘‘rebelde’’ tucano Wilson Campos (PE) desista de disputar a presidência da Câmara. Assim, o PFL ficaria com a 1ª vice-presidência e mais uma secretaria.
O vice-líder tucano, Ubiratan Aguiar (CE), já conta como consensual, dentro do partido, sua indicação para a chapa Temer. Um acordo na Câmara facilitaria a situação do candidato do PFL à presidência do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA). Ele precisa de outro feito difícil: que o candidato do PMDB ao cargo de José Sarney (PMDB-AP), Íris Resende (GO), abra mão de sua candidatura.

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