Congresso retoma discussão sobre fim do voto secreto
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Ranier Bragon e Kamila Fernandes<br>Folhapress 
Brasília e Fortaleza - A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros, levou o Congresso a retomar articulações para acabar com as votações secretas no Legislativo, mas tanto no Senado quanto na Câmara há um certo ceticismo em relação à real intenção da maioria dos parlamentares em aprovar a medida.
Ontem, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Marco Maciel (DEM-PE), entregou a Tasso Jereissati (PSDB-CE) a tarefa de relatar as propostas de emenda à Constituição que acabam com todas as votações secretas no Congresso, nas Assembléias e nas Câmaras.
Tasso admitiu ontem que manterá o sigilo do voto em alguns casos. ''Existem ponderações sobre algumas questões, como em casos de guerra, de segurança nacional, e inclusive de eleição de ministro do Supremo Tribunal Federal, que precisam ser melhor avaliadas.''
Em 2003, o Senado rejeitou por 37 a 29 emenda com o mesmo teor. Agora, após o caso Renan, alguns dizem ter mudado de opinião. ''Adepto do voto secreto, agora eu mudo. Porque o Piauí deu ao Brasil um dos maiores estadistas, Petrônio Portela, que ensinou que só não muda quem demite o seu direito de pensar'', afirmou Mão Santa (PMDB-PI).
''A partir de agora, prefiro o desgaste, a dificuldade da convivência, seja lá o que for, a essa dúvida de não se poder nem sequer olhar para os companheiros sabendo quem falou a verdade'', disse Heráclito Fortes (DEM-PI).
Na Câmara, há uma emenda idêntica à de Paim, em fase de tramitação mais avançada, mas que está há mais de um ano no aguardo de uma votação em segundo turno. No primeiro, foi aprovada por 383 votos a zero.
Essa votação aconteceu um mês antes das eleições de 2006 e na esteira da absolvição de 12 dos 19 parlamentares acusados de integrar o mensalão.
''Essa demora aqui tem, digamos, responsabilidade coletiva, difusa, mas não tem nenhuma ligação com o que ocorreu no Senado, no processo do senador Renan'', afirmou em plenário o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), voltando a se dizer favorável à votação em segundo turno.
Para entrar em vigor, a medida tem que ser aprovada pela Câmara e pelo Senado, com o voto de pelo menos 60% dos integrantes de cada Casa.
Na tarde de ontem, circularam rumores de que o Renan Calheiros passaria pelo Paraná durante o final de semana a convite do governador Roberto Requião (PMDB). A assessoria de imprensa do Palácio das Araucárias informou no final do dia que a viagem do senador é, na verdade, para Paraíba, onde ele deve se encontrar com o vice-governador do Estado.
No gabinete de Renan em Brasília, a assessoria de imprensa confirmou que o senador viajou na manhã de ontem para descansar, mas o destino não foi informado. (Colaborou Catarina Scortecci/Equipe da Folha)


