Congresso resiste à CPMF permanente
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sábado, 28 de novembro de 1998
Liége Albuquerque Agência Estado 
A transformação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em um imposto permanente promete ser o ponto nevrálgico da discussão da reforma tributária pelo Congresso. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, entregou aos parlamentares um esboço com as sugestões do governo para a emenda, instituindo o Imposto sobre Movimentação Financeira (IMF). As resistências quanto à CPMF também tornam delicada a reta final de apreciação do programa de estabilidade fiscal, que já está na reta final de votação. É consenso entre os políticos que o imposto do cheque é um imposto ruim.
Enquanto esperam pela proposta formal do governo, que deverá ser enviada pelo ministro na próxima semana, os políticos já externam resistência à idéia de manter permanente o imposto e garantem que a aprovação da reforma tributária vai depender de muita discussão. Parece que a única certeza da equipe econômica é a de eternizar o IMF, mas como a sigla é um acrônimo de FMI, até dá para entender, ironizou o deputado Delfim Netto (PPB-SP). Para ele, a proposta do governo é crua e infeliz. Não é uma reforma; mais muda siglas do que o sistema, criticou.
Segundo Delfim, este seria o momento de o governo fazer uma reforma clássica: reduzir a carga tributária sobre o capital e tributar mais o consumo. Era a hora em que o País deveria refletir para integrar seu tributarismo com o Mercosul, com o mundo, e não ficar inventando moda, acrescentou o deputado pepebista. A moda, explicou, é insistir no IMF, um imposto inexistente em outros países.
A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) afirmou que, uma vez que o governo pretendia extinguir os impostos em cascata, seria paradoxal criar o IMF. Não é um imposto inflacionário, mas é cumulativo, disse. O calcanhar-de-aquiles das discussões nos quatro anos do Congresso foram como os Estados e municípios poderiam ser cobertos com mais equidade pelo novo sistema tributário, continuará: agora a discussão tem de ser refeita com os novos governadores e seus secretários de Fazenda, adiantou a deputada.
Para o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), a nova estrutura tributária proposta ainda necessita ser muito analisada. Não é uma idéia fechada do governo, é só uma sugestão, defendeu. Vai trazer muitas discussões, o que era a intenção até para enriquecer a idéia original.
O deputado petista José Genoino (SP), disse que, na proposta do governo, é muito nebulosa a idéia de como será a partilha de recursos entre as três esferas de governo. Essa partilha federativa, para onde e em quais percentuais vão ser divididos cada um dos impostos, precisa ser mais explicada para os governos e municípios.
Genoino considerou que o governo jogou uma carta de intenções à frente dos deputados e não uma proposta. Foi uma cartada política para demonstrar que o governo quer uma reforma tributária e facilitar a aprovação do ajuste e do aumento da alíquota da CPMF, acredita. Outra dúvida do deputado é quando e como vai funcionar a anunciada Câmara de Compensação em relação a tributos extintos ou modificados e como será a transição da cobrança do imposto sobre o destino e não na origem da mercadoria.
Dúvidas Não há nenhuma certeza nessa proposta, só dúvidas, destacou o líder do PSB na Câmara, deputado Alexandre Cardoso (RJ). Para ele, a apresentação da proposta feita pelo ministro Malan foi desrespeitosa. Foi um ato político do governo de dizer temos uma proposta de reforma, mas ela não existe, disse.
Para o deputado da oposição, a única certeza de toda uma proposta vazia é a da eternização da CPMF. O princípio parece ser de aumentar a capacidade tributária da União com o IMF e diminuir ainda mais a independência dos municípios.
Se o governo não conseguir aprovar a proposta de emenda constitucional na comissão especial até o fim da convocação extraordinária, em janeiro, ela terá de ser arquivada. Pelo regimento da Câmara, apesar de o relator, deputado Mussa Demes (PFL- PI), não ter sido reeleito, qualquer outro deputado da comissão pode ressuscitar o relatório, continuar o trabalho de onde foi parado e, se desejado, elaborar um novo substitutivo.
Como o relator ao receber a proposta do governo sinalizou sua antipatia à eternização da CPMF para IMF, já é cogitado um novo relator. O nome mais cotado é o de outro pefelista, Benito Gama (BA).


