Não é só a aprovação das reformas administrativa e da Previdência Social que preocupa os líderes aliados ao Palácio do Planalto. Os governistas começaram a se articular ontem em Brasília para acelerar as votações das propostas em pauta e garantir produtividade máxima à convocação extraordinária. Tudo para salvar a imagem do Legislativo que está consumindo cerca de R$ 26 milhões só em salários de parlamentares e funcionários por 29 dias de trabalho extra.
‘‘Nossa tática será a de conceder urgência urgentíssima às propostas que já tiverem passado por uma comissão técnica, e levá-las a voto em plenário’’, antecipou o líder do governo no Senado, Élcio Alvares (PFL-ES), que se reuniu ontem com o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para definir a estratégia dos senadores. ‘‘Eu vou defender a urgência urgentíssima na Câmara’’, completou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘Temos de mostrar serviço porque a sociedade está de olho em nós.’
Líderes de todos os partidos na Câmara reúnem-se hoje com o presidente Michel Temer (PMDB-SP) para tentar um acordo de procedimento na convocação. O acerto poderá levar direto ao plenário o projeto de emenda constitucional que limita os poderes do presidente da República na edição de medidas provisórias (MPs). ‘‘A unanimidade pode tudo’’, resumiu Inocêncio, ao apontar três temas importantes na convocação: a reforma previdenciária, a proposta que trata das MPs e a que estabelece o efeito vinculante nas decisões judiciais de acordo com as manifestações do Supremo Tribunal Federal (STF).
A tese de acelerar a votação de outros projetos, além daquele que trata do sistema previdenciário, agrada as oposições, que duvidam da aprovação da reforma. ‘‘Temos que sair da armadilha de transformar a convocação em pauta única’’, defende o petista José Genoíno (SP). O deputado sugere que a Câmara eleja outras prioridades, como a limitação do uso de MPs, o projeto que muda o sistema de segurança pública e o que trata do efeito vinculante, citado por Inocêncio.
Plataforma mínima Os governistas insistem em aprovar a reforma da Previdência tal como veio do Senado, para liquidar a questão sem que a emenda seja submetida a nova rodada de votações pelos senadores. Mas as oposições contam com a dissidência do PMDB, que já anunciou sua disposição de mudar o texto do Senado na comissão especial que analisar a reforma.
‘‘Estamos querendo discutir uma plataforma mínima para mudar a reforma do Senado’’, anunciou o líder do PT, deputado José Machado (SP). Certo de que será possível fechar um entendimento com o PMDB para apresentar emendas comuns, o petista planeja a primeira conversa para hoje com o primeiro vice-líder do PMDB, Wagner Rossi (SP).
‘‘Faremos tudo para evitar emendas porque, depois do carnaval, será praticamente impossível conseguir quórum para votar as reformas’’, reagiu o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). Aécio contou que escolheu ‘‘a dedo’’ os representantes do PSDB na comissão especial da reforma previdenciária que poderá ser instalada já amanhã.
O relator será o tucano Arnaldo Madeira (SP) e os trabalhos serão presididos pelo pefelista Paes Landim (PI).

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