Congresso promete priorizar reformas
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sábado, 30 de junho de 2001
Daniel Piza Agência EstadoDe Brasília 
O governo dará prioridade para a reforma política na volta do recesso do Congresso, em agosto. As prioridades serão a reforma política e a tributária, diz o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG). A reforma política, segundo ele, ganhará comissão especial, que tratará de tentar pôr em votação em meados de agosto os projetos de lei que já foram aprovados pelo Senado e instituiriam fidelidade partidária, o fim das coligações em eleições proporcionais, cláusula de desempenho e o financiamento público de campanhas. Estou determinado a estimular as votações.
Um dos principais articuladores do governo é o vice-presidente Marco Maciel (PFL), que defende a reforma do sistema partidário-eleitoral como primeira etapa de uma série de mudanças no sistema político brasileiro. É preciso ampliar a representatividade e a governabilidade, diz Maciel. No Brasil é mais fácil criar um partido do que abrir uma microempresa. Na avaliação de Neves, a fidelidade partidária é a emenda com maior chance de aprovação antes de outubro, quando o Congresso entraria em ano eleitoral. Também para ele a fidelidade seria o start da reforma política.
A oposição não está tão segura de que as votações serão realizadas. Reforma política não pode ser feita a conta-gotas, diz o deputado José Genoino (PT-SP). Com a crise que o Congresso está vivendo, não dá para fazer uma mudança tão importante.
Genoíno diz que votaria em favor da fidelidade partidária, mas em outros termos: Não acho que o importante seja aumentar o prazo de filiação para que o político seja candidato. Isso favorece as grandes legendas. O importante é que o candidato não mude de partido depois de eleito. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) tem opinião semelhante. A essa altura dos acontecimentos, só é legítimo discutir a fidelidade partidária, que pode ser votada em qualquer tempo.
O outro item que o governo destaca como integrante da primeira etapa é ainda mais controverso: o financiamento público da campanha. O PT é a favor do financiamento público, mas sem algumas emendas moralizadoras ele se torna muito perigoso.
Genoino cita como exemplos a limitação da imunidade parlamentar e o fim do sigilo bancário e fiscal para políticos do Legislativo e do Executivo. Sem isso, o financiamento público vira moeda de corrupção. Mesmo Marco Maciel não está certo da medida. Na Alemanha, o financiamento é público e mesmo assim (o ex-chanceler) Helmut Kohl recebeu doações acusadas de corrupção.
Também o fim das coligações partidárias em eleições proporcionais parece convergir as opiniões, mas sem acerto prático. O fim das coligações, teoricamente, é bom, diz Genoíno. Mas também é preciso alterar o coeficiente que elege os deputados de cada Estado. Miro Teixeira acha que a medida não pode ser votada agora: Assim se inviabilizariam os partidos pequenos para a próxima eleição.
O governo põe essa emenda como a terceira em importância, depois das que estabelecem a fidelidade partidária e o financiamento público. Meu papel é estimular o debate, diz Neves. Mas Maciel acha o projeto fundamental para dar nitidez ao processo eleitoral, porque impede que o voto a um candidato eleja outro do partido aliado.


